O que esperar de Fernando Diniz no Corinthians
Opinião de Bruno Cassiano
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Fernando Diniz com modelo de camisa utilizada na época de jogador do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Após nove jogos sem vencer, tendo alguns periodos de treinamento sem mostrar evolução, o trabalho do técnico Dorival Júnior foi interrompido pela diretoria do Corinthians. Algo esperado e, de certa forma, até mesmo cobrado por parte dos torcedores que defendiam a demissão logo após a derrota contra o Fluminense.
Para substituir Dorival e sua comissão, muitos nomes foram cogitados pela torcida, desde o ex-lateral esquerdo Sylvinho até Marcelo Gallardo, ex-River Plate. Pesou na escolha do Corinthians a proximidade, os custos e o perfil desejado, tudo visando o atual contexto técnico, financeiro e político do clube. A escolha óbvia para o momento, assim, se confirmou, e Fernando Diniz foi anunciado.
Mas o que esperar de Fernando Diniz no Corinthians?
O torcedor que não gostou da vinda, responderia essa pergunta destacando tudo o que há de ruim nos trabalhos anteriores do treinador. Já o torcedor que aprova essa chegada, destacaria tudo o que pode ser positivo no próprio Corinthians daqui para frente. Há uma divisão quase igualitária entre aqueles que querem ver esse trabalho e aqueles que gostariam que esse dia nunca chegasse. Buscarei o equilíbrio.
Começo destacando algo que talvez seja um dos principais motivos para a escolha de Fernando Diniz ao invés de outros nomes: o estilo "agressivo". Diniz é o tipo de treinador que consegue mexer no brio do elenco, algo bem necessário a um Corinthians que nos últimos tempos se acomodou e se acostumou com a apatia, principalmente em jogos dentro de casa. Com o novo técnico, o time pode até não vencer, mas dificilmente entregará pontos passivamente como tem acontecido ultimamente.
O ponto negativo desse estilo é a possibilidade de atritos. O treinador, apesar de muito calmo e controlado nas entrevistas, tende a se descontrolar em alguns momentos, em determinados contextos de jogo, e passar do limite aceitável na hora de cobrar seus jogadores. Muitas vezes, o que poderia ser dito de uma outra forma nos vestiários ou dentro do CT, é dito com a bola rolando sob o foco constante das câmeras de uma forma bem menos cuidadosa. Atos que geralmente resultam na perda do vestiário.
Passando para o campo, Diniz é um técnico que valoriza muito a posse de bola. O seu Fluminense (campeão da Libertadores) tinha uma média aproximada de 60% do tempo com o domínio da bola nas partidas que disputava. E esse valorizar não é somente ter a posse, como saber aproveitar de forma mais criativa, com jogadas pensadas e bem trabalhadas, treinadas sistematicamente para um melhor refino. O Corinthians de 2026 até tem posse em muitos jogos, mas sem conseguir criar e levar perigo para o adversário na maior parte das vezes.
É aqui que talvez seja o ponto de maior "medo" daqueles que foram contra a vinda do treinador. Por valorizar muito a posse, Diniz é contrário às saídas de bola esticadas, ou seja, com o goleiro dando um chutão para a frente. Com as saídas curtas, o treinador tem como plano sustentar e se livrar de uma pressão inicial do adversário, o atraindo para perto de sua própria meta, para gerar espaços por onde atacar. A ideia é boa, mas, vendo as peças atuais do Corinthians, o receio é justificado. Não há no time um goleiro com bom trabalho de pés e os zagueiros passaram a não ser tão confiáveis nessa primeira saída. Isso pode resultar em algo desastroso durante os jogos.
Ainda sobre deter a posse e ser mais criativo, a tendência é que o técnico consiga potencializar os nossos meias, principalmente aqueles que tem uma melhor qualidade com a bola nos pés, como é o caso de Bidon, André, Garro e Carrillo, e, quem sabe, melhorar aqueles que ainda não têm tanta confiança ainda do torcedor, como é o caso de Raniele e Allan, por exemplo. A posse e o pensamento ofensivo do treinador tendem a trazer novamente nossos principais atacantes para o jogo. É um elenco, principalmente do meio para frente, que combina com o estilo do novo treinador.
Outro ponto que muito se destaca é o baixo aproveitamento do treinador em trabalhos recentes e no próprio Brasileirão, algo que também tem sido um problema no Corinthians desde o ano passado. Diniz é um técnico com mais derrotas do que vitórias no campeonato nacional e tem um aproveitamento inferior a 50% em Cruzeiro e Vasco, além da passagem esquecível pela Seleção Brasileira. Esse é um ponto justo para destaque e, talvez, o que tenha pesado como argumento na coluna dos “contras” e que deve gerar desconfiança em um torcedor que já está cansado de aproveitamentos ruins nos pontos corridos.
Em linhas gerais, é de se esperar um Diniz fiel às suas convicções e ideias, mas adaptadas ao atual Corinthians, com as peças disponíveis no elenco. Não é um técnico conhecido por solidificar defesas, o que gera preocupação, já que o sistema defensivo do Timão não vive bom momento, mas tem a capacidade de implementar seu padrão de jogo e se impor para buscar os pontos por meio de uma proposta ofensiva, com variação e agressividade quase o tempo todo. Trata-se de algo diferente do “jeito Corinthians”, ao qual o torcedor se acostumou e passou a enxergar como parte do DNA do clube.
Se o treinador conseguir um equilíbrio entre seus pontos positivos e negativos e separar o que é convicção do que é teimosia, podemos esperar uma união de muita felicidade para a Fiel e, quem sabe, uma mudança do olhar para um técnico que ousa pensar diferente em um ambiente onde o diferente é costumeiramente ridicularizado e rechaçado na primeira oportunidade. Não é perfeito, mas passa longe de ser o pior do mundo. Diniz não é o favorito, inicialmente, de boa parte dos torcedores, mas pode muito bem ser o nome certo para promover as mudanças necessárias no Corinthians.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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