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Sobre o recente caso de racismo em um jogo do Corinthians Sub-12
Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, jornalista, pai, marido e corinthiano. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer na raça.

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Sobre o recente caso de racismo em um jogo do Corinthians Sub-12

Torcida do Corinthians levanta faixa contra o racismo

Foto: Jhony Inácio/Meu Timão

Para quem ainda não leu ou ouviu nada sobre, Corinthians e Manthiqueira realizavam uma partida válida pelo Campeonato Paulista sub-12, em Guaratinguetá, quando aos 54 minutos do segundo tempo uma torcedora do Corinthians proferiu ofensas racistas contra um jogador da equipe adversária e a partida foi paralisada.

O árbitro Guilherme Drbochlaw acionou o protocolo antirracista. Na súmula, ele relatou que agiu logo após o jogador do Manthiqueira se sentar chorando no gramado. A ação é caracterizada pelos punhos cruzados, em forma de X, e visa justamente a interrupção da partida. O ato racista foi repudiado pela FPF, por torcedores e até mesmo pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, que se disse "enojado" pelo acontecimento.

Recentemente, a Federação Paulista de Futebol fechou os portões para a realização de duas rodadas de campeonatos de base, como um "ato educacional". A FPF apontou que o comportamento das torcidas, formadas principalmente por familiares dos jogadores, está muito hostil. Há relatos de ofensas, inclusive raciais e homofóbicas, proferidas contra os jogadores que, em sua maioria, são crianças e adolescentes.

Esses casos nos mostram algo óbvio: o racismo, enquanto problema social, não é um mal presente exclusivamente em torcida A ou B, de nacionalidade C ou D. É um mal presente no esporte em geral, é um problema a ser enfrentado por todos, afetados ou não. Pois, como bem sabemos, mas às vezes alguns ignoram, o futebol não é uma ilha, ele está inserido na sociedade e sujeito às mesmas alegrias, tristezas e enfrentamentos.

O ato, asqueroso por si só, se torna ainda mais revoltante quando a vítima é uma criança. Um indivíduo em formação que tem que assimilar tão cedo algo tão violento quando só queria jogar bola, seja por sonho ou brincadeira. Alguém que ainda não tem total compreensão do ódio e do preconceito que sofrerá por ser negro. É cruel e desolador.

A autora das ofensas foi presa em flagrante pela polícia militar e responderá pelo crime. Dentro do âmbito esportivo, ainda não sabemos o que a Federação fará, o que sabemos é que notas oficiais "em repúdio" não resolvem e não confortam, sequer podem ser consideradas como uma ação, já que a maioria é o famoso mais do mesmo, com palavras mais ou menos bonitas.

É preciso que presidentes de clubes e federações (estaduais, nacionais e internacionais), além dos torcedores mais conscientes, se unam para pensar e agir de forma efetiva no enfrentamento de todo e qualquer ato preconceituoso ou discriminatório dentro do futebol. O esporte é um importante agente de inclusão social, não faz sentido ter qualquer tolerância para atitudes contrárias a isso. É preciso muito mais do que as notas de repúdio, é preciso ATOS de repúdio.

Ficar "enojado" é o mínimo, mas também considero o mínimo estender faixas antes das partidas com campanhas tão pouco efetivas que são como se não existissem de fato. "Basta ao Racismo", mas o que está sendo feito para dar um basta em racistas? Creio que já passamos da fase das faixas, tanto quanto creio que elas nunca foram o suficiente.

Enquanto esses atos forem usados para apontar dedos para os rivais, como se fossem uma questão de vitória ou derrota esportiva de determinado time, estaremos perdendo todos socialmente. O problema tem que ser enfrentado com o tamanho que tem, com a seriedade necessária, do contrário seguiremos nos enganando e nos afastando de uma real resolução.

Veja mais em: Base do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, é jornalista e pai desde 2016, marido desde 2021 e Corinthiano desde 1994. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer de teimoso, na raça.

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