Homenagem a Gil foi um gol marcado pelo Corinthians antes da bola rolar
Opinião de Bruno Cassiano
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Gil e sua família durante homenagem
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
Logo quando foi anunciada a homenagem para o ex-zagueiro Gil, nos moldes como foi a homenagem ao Renato Augusto, imaginei: "Gol do Corinthians". É preciso dar valor a quem merece valor, por seus feitos e postura dentro de fora de campo, Gil é esse tipo merecedor por tudo o que fez e representou no Corinthians.
O zagueiro atuou 444 jogos na zaga do Coringão, foi titular em 435 oportunidades, e tem a marca de 29 participações em gols, sendo 19 marcados por ele e 10 tendo ele, o zagueiro, como assistente. Durante suas duas passagens pelo Timão, Gil conquistou três títulos, sendo peça fundamental nas campanhas e em outros momentos de glória.
Números à parte, há quem o coloque ao lado de Gamarra como zagueiro histórico do Corinthians, outros questionam se o lugar nessa dupla não pertence a outro zagueiro histórico; Chicão. Se figura ou não no time dos times do nosso Timão isso é discutível, é pessoal tal qual a idolatria que cada um classifica conforme critérios próprios, fato é que seu nome merece um lugar de destaque no debate. O que sequer deveria entrar em debate é o quanto ele se entregou em campo vestindo nossas cores.
Gil, assim como Gamarra, foi um sinônimo de raça em campo. Quando a técnica e a tática faltavam, a vontade se sobressaia ao cansaço para colaborar por uma vitória, para alcançar um empate ou para defender os pontos conquistados em campo. Com a bola nos pés ou com a imposição de sua presença, brigava com adversários ou arbitragem em prol de um único objetivo; defender o Corinthians.
Sua relação com o torcedor ficou abalada momentos antes de saída, quando era constantemente interceptado por algum grupo de torcedores em locais onde deveria estar concentrado. Em uma dessas tristes ocasiões chegou a ser acusado de 'roubar' o Corinthians, claro que não com o sentido de roubo, mas com o peso de uma palavra forte direcionada a quem não merecia. Gil nunca foi o problema do clube.
A homenagem concedida antes do clássico, em um 20 de novembro tão simbólico para tantos, é uma forma de reparar essa relação e dar um devido adeus a quem nos fez tanto sorrir enquanto defendia nossas cores. Há quem vá lembrar de alguma declaração pós-jogo, enquanto ele atuava pelo rival, ou da remoção do nome do Corinthians em seus perfis de redes sociais, mas para mim o que fica é tudo que foi construído enquanto o jogador estava conosco. O resto é pouco, é pequeno, perto de tamanha importância e grandeza.
No dia da consciência negra, foi bom sorrir junto a um sorriso negro e chorar lágrimas de felicidade junto às lágrimas de quem se doou tanto pelo nosso Timão. Foi a chance de dar aquele último abraço que faltou e dizer: Obrigado, Gil! Ídolo ou não, o merecimento desse momento é incontestável.
Gol do Corinthians antes do trilar do apito e do rolar da bola. Ali algo já estava nítido de que a noite seria nossa. Que bom que foi.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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