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O Corinthians é sim uma caixa d'água com furos, mas o basquete não pode ser considerado um deles
Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, jornalista, pai, marido e corinthiano. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer na raça.

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O Corinthians é sim uma caixa d'água com furos, mas o basquete não pode ser considerado um deles

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O Corinthians é sim uma caixa dágua com furos, mas o basquete não pode ser considerado um deles

Elyjah Clark durante jogo do Corinthians pelo Novo Basquete Brasil

Foto: Beto Miller / Agência Corinthians

Em recente declaração, Osmar Stabile voltou a fazer a mesma afirmação que havia feito em uma coletiva no mês de julho, enquanto ainda era presidente interino do Corinthians. Na oocasião,ele afirmou que "o Corinthians é uma caixa d'água cheia de furos", dessa vez ele acrescentou com "e nós estamos tapando esses furos".

O presidente usou essa analogia como parte da justificativa para encerrar o basquete após a temporada atual, mas a modalidade não pode ser considerada um buraco. Se muito, é no máximo um buraco de agulha (que mal deve causar vazamentos pelo seu diâmetro) entre tantos outros buracos por onde é possível passar um camelo.

Mirar em modalidades como o basquete ou como o futsal, que levam os torcedores para dentro do solo sagrado do Parque São Jorge há tanto tempo e carregam tanta tradição, não é cortar na carne do clube social, é cortar na carne da própria Fiel e da história e importância que o Corinthians carrega dentro dessas modalidades.

O que esses esportes talvez não tragam em lucro, eles agregam em valor na própria instituição. Diferente das práticas escusas de alguns ex-presidentes que ainda circulam livremente dentro das ddependênciasdo clube, usufruindo de suas benesses, como se não tivessem cometido nenhum dano financeiro ou de imagem ao Corinthians.

Para que haja esse tipo de movimento, que é extremo se tratando do contexto, é preciso que haja transparência e explicações um pouco menos genéricas. Por que essa modalidade? Quanto arrecada? Quanto gasta? Quanto o Corinthians espera economizar encerrando a modalidade? O que acarreta mais prejuízo ao clube social? Só com respostas diretas, sinceras e claras é que é possível entender minimamente a motivação. Do contrário, essa atitude é como uma forma de desrespeitar o legado esportivo do clube.

Legado esse que foi "homenageado" no último dia 19, um dia antes do feriado da Consciência Negra, por meio de um quadro entregue aos familiares de Rosa Branca, ex-jogador de basquete do Corinthians e da Seleção Brasileira, que faleceu em 2008. Rosa Branca, inclusive, virou busto recentemente perto do ginásio cujo nome é em homenagem a um outro jogador de basquete, e seu companheiro, Wlamir Marques. O histórico jogador que começou no atletismo e se destacou no basquete dentro e fora das quatro linhas, pois foi um dos primeiros atletas negros a atuar pela Seleção em uma época em que os adversários de quadra eram os menores dos problemas no nosso país.

Trazendo para a atualidade, temos um time feminino às vésperas de entrar em quadra para batalhar por um título paulista, com jogadoras empenhadas em levar mais uma taça para a sala de troféus do clube, mesmo sem saber se no próximo ano estarão presentes para defender esse título ou contemplar sua conquista dentro da instituição.

Encerrar uma modalidade não pode ser algo tão simples, não pode ser algo com foco populista, pois muitos, antes dos atuais dirigentes e esportivas, trabalharam muito para um legado ser construído. A história não pode ser desrespeitada e nem arcar com a culpa da irresponsabilidade de seres tão pequenos e incompetentes que arrastaram o Corinthians para essa situação.

Que haja uma melhor explicação, de forma detalhada e respeitosa. Pois, no momento, a medida não me passa a sensação de um torniquete para conter um sangramento, mas sim de um band-aid para cobrir a picada de um mosquito.

Veja mais em: Basquete, Parque São Jorge, Resultados do Basquete do Corinthians e Próximos jogos do Basquete do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, é jornalista e pai desde 2016, marido desde 2021 e Corinthiano desde 1994. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer de teimoso, na raça.

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