Punir a Gaviões é combater a festa e não a violência
Opinião de Bruno Cassiano
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Gaviões da Fiel marca presença no jogo do Corinthians contra o Mirassol
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Por determinação da FPF, a Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, está proibida de entrar nos estádios de São Paulo até o fim de 2026. A decisão aconteceu originalmente após um pedido do Jecrim, Juizado Especial Criminal da Capital, como punição a um episódio de confronto entre pessosas trajadas de Gaviões da Fiel e pessoas trajadas de Torcida Indenpendente no dia 20 de novembro. Até o momento, pelo que se sabe, somente a torcida organizada do Corinthians foi punida.
Tal decisão reafirma a ineficácia da determinação de torcida única em clássicos no Estado de São Paulo, o confronto que têm como base ocorreu no bairro do Bixiga, a aproximadamente 25 km da Neo Química Arena onde Corinthians e São Paulo se enfrentavam pelo Campeonato Brasileiro. Reafirma também a incapacidade de nossas autoridades para pensar e agir de forma efetiva no combate à violência, quantas e quantas vezes já vimos esse mesmo tipo de punição ser aplicada no nosso futebol? Se precisa ser aplicada tantas vezes, significa que é pouco ou nada efetiva.
Punir a entidade, ao invés de punir os indíviduos, é fácil e populista, quem não gosta de torcidas organziadas, por conta de algum preconceito, vai aplaudir mesmo sabendo da ineficácia da medida e do trânsito normal das organizadas dentro do estádio, só não podendo exibir seus patrimônios e fazer sua tradicional batucada com instrumentos. O problema não está no "CNPJ" está nos "CPF's". Quem sai de casa a fim de arrumar confusão, consegue arrumar por qualquer motivo, vestindo qualquer tipo de roupa, sem ter qualquer ligação com o futebol ou qualquer outro esporte. Punir o todo tem como resultado apenas o cerceamento da festa e não da violência.
O problema vai além de torcida A ou B, é algo social e bem mais complexo. Aparentemente é essa complexidade que nos afasta de uma resolução. É preciso ter uma legislação mais clara e mecanismos mais refinados na busca e identificação daqueles que promovem e participam de brigas Brasil a fora, muitas vezes a quilômetros e em horários divergentes às partidas de futebol. Um exemplo disso, do quanto o problema é maior, é o embate recente entre organizadas de Santos e Inter em uma rodavia no sul do país. Os times sequer têm rivalidade entre eles, não dispuram uma partida naquela ocasião e nem estavam na mesma cidade, mas se cruzaram em seus respecitivos caminhos.
Proibir os Gaviões de ostentar suas bandeiras e de ter o auxílio de seus insturmentos na cantoria em prol do Corinthians, é proibir também parte essencial da festa. Festa essa que exaltada pela Federação Paulista de Futebol em suas redes sociais, mas que é tratada com desprezo ou indiferênça fora das planilhas e metas de engajamento. O Corinthians deve entrar na "briga" pelo seus torcedores, fazendo muito mais do que algumas linhas de nota oficial. Passou da hora de defender quem dá a vida para defender esse clube.
Que a maior torcida organizada do país consiga reverter essa descisão absurda e com pinta de perseguição antes do confronto de volta da semifinal da Copa do Brasil de 2025, para poder entrar com seu patrimônio e com todos os instrumentos para fazer uma festa linda, do jeito que a Neo Química Arena costumeiramente recebe em jogos decisivos, para que o nosso Corinthians possa contar também com esse grande reforço vindo das arquibancadas do estádio.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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