Livre do transfer ban, Corinthians atua de forma consciente no mercado
Opinião de Bruno Cassiano
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Marcelo Paz e Dorival Júnior durante treino do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O ano de 2026 do Corinthians começou com algumas incertezas e indefinições. Era claro, desde o fim da temporada de 2025, que terminou com o título da Copa do Brasil, que o time precisaria de ajustes e de novas peças, mas, com o clube ainda sancionado pelos transfer bans, não era certeza de que poderia atuar no mercado para suprir suas necessidades.
De forma satisfatória, o Timão atuou com rapidez e eficiência para não perder essa janela. Pagou aquilo que gerava o impedimento de poder registrar novos jogadores e se viu livre para poder fazer suas consultas, sondagens e propostas. Essa liberdade, por algumas vezes, tirou o sono do torcedor alvinegro. Vale lembrar que, em um passado recente, algumas movimentações que o clube pretendia fazer e que outros clubes fizeram deram terrivelmente errado, como foi o caso do atacante Biel e sua curta passagem pelo Atlético MG. O transfer ban, em alguns momentos, foi tratado como uma bênção e não como uma punição.
Mas há algo diferente nesse novo Corinthians e isso coincide com a chegada de Marcelo Paz e de sua equipe, vinda do Fortaleza. O clube mapeia de melhor forma o mercado, aproveitando, ou tentando aproveitar, de fato, oportunidades de mercado que me parecem promissoras. É o caso de Gabriel Paulista, zagueiro experiente, com rodagem pela Europa e que tinha um sonho antigo de atuar no Corinthians. Há quem seja a favor e há quem seja contra a chegada do zagueiro, mas é fato que foi uma oportunidade bem aproveitada.
É o caso, também, de Pedro Milans, uruguaio de 23 anos que estava sem clube desde a sua saída do Peñarol. O jovem jogador chega para ser, inicialmente, reserva imediato de Matheuzinho na lateral direita, uma das principais carências da equipe de Dorival Jr. ao longo de 2025. O treinador, ao longo da temporada anterior, chegou a improvisar Charles, Martínez e até Hugo Farias (lateral-esquerdo) no corredor direito quando, por algum motivo, não pôde contar com o seu titular da posição. Essa era a contratação de maior necessidade no Corinthians atual.
Há também sondagens para jogadores do meio para frente. Matheus Pereira, Filho do Terrão, é um desses nomes após se destacar pelo Fortaleza. Outro, também do Terrão, é Luis Mandaca, do Juventude. Allan, do Flamengo; Kauã Diniz, do América-MG; e Kaio César, do Al-Hilal, que atua como ponta, também estão ou estiveram no radar alvinegro. Perfis distintos que podem agregar variações técnicas e táticas ao time do Corinthians após um ano com duas conquistas e poucas oportunidades de variar o esquema. Vejo com bons olhos para aqueles que foram campeões não se acomodarem, já que terão "sombras", e para causar dúvidas nos adversários também.
O Corinthians faz aquilo que é possível para se reforçar, mantendo os pés no chão e dentro de sua realidade financeira. Se vai dar certo ou não, são outros quinhentos, mas o clube, na figura de seu executivo e de sua diretoria, faz aquilo que é esperado em um momento tão crítico; caminha para uma organização. A folha salarial está sendo diminuída e os jogadores que chegam são para suprir ausências ou necessidades explícitas, variando entre perfis experientes e promissores, assim como o elenco do Timão num geral, com seus jogadores advindos da base e os profissionais, sem causar um desnível técnico.
O futuro é incerto, o futebol não é uma ciência exata, mas é um início de trabalho de Marcelo Paz que nos dá maior tranquilidade e esperanças de que consigamos passar por esse ano sem sofrimentos desnecessários dentro e fora de campo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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