Uma noite para lembrar que o futsal é parte da alma corinthiana
Opinião de Felipe Sales
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Deives e Marlon comemorando diante do Magnus Futsal
Foto: Beto Miller / Agência Corinthians
O Corinthians protagonizou uma das maiores vitórias da sua história no futsal na noite desta terça-feira. E isso aconteceu poucos dias após o presidente Osmar Stabile, em plena reunião do Conselho de Orientação (Cori), afirmar que acabaria com a modalidade profissional.
Ao mesmo tempo que é cômico, é trágico. E, acima de tudo, é um recado claro: o futsal corinthiano é gigantesco.
No dia 4 de outubro, o clube do Parque São Jorge venceu o jogo de ida das quartas de final da Liga Nacional de Futsal (LNF) por 4 a 2 sobre o Magnus, com o Ginásio Wlamir Marques completamente lotado. Uma semana depois, enfrentou o principal rival na Arena Sorocaba. Perdeu o tempo normal de virada por 5 a 3, levando a decisão para a prorrogação. O empate favorecia o Magnus, então o Timão foi para cima e abriu o placar na reta final da primeira etapa.
No segundo tempo, sofreu o empate, levando um verdadeiro balde de água fria. Mas, restando 90 segundos para o fim, Renatinho apareceu para decidir: fez o segundo e garantiu a vaga nas semifinais, mantendo vivo o sonho do tricampeonato. O adversário agora será o Campo Mourão.
Em 2025, o clube do Parque São Jorge iniciou a temporada com o vice da Super Copa Gramado, já levantou a Taça São Paulo e foi campeão do Torneo Mucho Más, na Espanha, uma competição que reuniu equipes que disputam a Champions League da modalidade. Além disso, segue vivo nas semifinais tanto da LNF quanto do Campeonato Paulista. Esse é mais um ano de conquistas e reafirmação da força da modalidade.
Curiosamente, um dos principais nomes do Corinthians nessas quartas foi Luisinho, garoto formado no Parque São Jorge. Ao longo da temporada, outros Filhos do Parque, como Lucas Martins e Maicon, também foram dois dos grandes destaques da equipe.
A base do Corinthians é o coração do futsal nacional e mundial. É ela que forma, alimenta e mantém viva essa modalidade dentro do clube. Para quem não sabe, o próprio Falcão, considerado o maior jogador da história, foi revelado pelo Timão. No título mundial de seleções em 2024, quando o Brasil se sagrou campeão, quatro jogadores haviam sido formados no Corinthians, outros dois passaram pelo clube, e Marlon, hoje, é titular da equipe alvinegra.
A lista de talentos que começaram nas quadras do Parque São Jorge é extensa. Jogadores como Willian, Marquinhos, Gabriel Martinelli, Gui Negão, Felipe Longo e Matheus Donelli tiveram passagem pelo futsal corinthiano antes de despontarem no campo. E há ainda dezenas de atletas formados no clube espalhados pelo mundo, atuando em grandes equipes e disputando as principais competições.
Acabar com o futsal profissional do Corinthians seria uma tragédia esportiva. É desmontar o maior projeto da modalidade no planeta. É arrancar da torcida o prazer de acompanhar de perto um esporte fascinante, que sobrevive com ingressos gratuitos ou a preços simbólicos, que mantém a proximidade entre ídolos e torcedores e que ainda resiste, movido pela paixão e pelo orgulho de vestir o manto alvinegro — basta assistir a qualquer entrevista do Deives.
Seria, em resumo, destruir um pedaço essencial do que é ser Corinthians. O futsal do Timão não pode acabar. O Corinthians é muito grande.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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