Ainda não sabemos jogar a Libertadores
Opinião de Roberto Gomes Zanin
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Quando acordamos, já estava 2 a 0
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Amigos e amigas fiéis:
Corremos o risco de sermos bipolares.
Ganhamos o Paulista em cima do rival e vencemos as duas primeiras do Brasileirão, somos o máximo.
Perdemos do Galo e do Independiente, somos um lixo.
Tentarei fugir desses extremos, mas a realidade é esta: não sabemos jogar a Libertadores.
Como não, Roberto?
Ganhamos uma, de forma invicta, contra o Boca!
Sim, mas parece que nosso santo não combina com o dessa Copa.
Desde 2012 fomos eliminados de forma juvenil.
A exceção foi 2013. O episódio de Oruro determinou que a Conmebol não aceitaria um campeão ligado à tragédia.
Amarilla fez o serviço, facilitado pela apática atuação do time no jogo de ida, em La Bombonera.
Nos anos seguintes, todas as eliminações ocorreram não por mérito dos adversários, mas por culpa própria. Por não sabermos jogar a competição, por não entendermos como se joga esse torneio.
Não entendemos que a arbitragem de “sul-america” é volátil.
O juiz estrangeiro, de diferente, só tem a nacionalidade.
No mais, são todos iguais. Não tem lógica, nem coerência.
Quer dizer, só são coerentes numa coisa.
Você pode bater à vontade, fazer cera, xingar, o escambau, que ele não vai lhe expulsar.
Mas basta dar um chute, um cotovelada ou um totó sem bola que, em 2 segundos, um cartão vermelho será esfregado na sua fuça.
A exceção existe, mas sempre contra os brasileiros.
Ninguém tem peito de ser rigoroso em La Bombonera, em Nuñez ou no Centenário.
Mas são implacáveis por aqui.
Isso vem desde os tempos de Roger (lembram do “pega, pega”, de Geninho, em 2003, contra o River?).
Mas os caras não aprenderam.
Voltando aos anos pós-conquista da Libertadores, expulsões idênticas às de Sheik (imperdoável ele ter se comportado como juvenil), nos tiraram da Libertadores de 2015 (Jadson e Fábio Santos) e 2016 (Fagner).
Outra coisa que não aprendemos: a “vibe” da Libertadores é diferente da do Brasileirão, por exemplo.
Fora de casa, nosso estilo até que se encaixa.
Ficamos atrás, marcamos e especulamos no contragolpe.
Mas em nossos domínios, mas do que nunca, tem que prevalecer, DESDE O INÍCIO DO JOGO, aquele grito de guerra: “Tapa na Orelha, sangue nos olhos” (mas sem passar do ponto).
Isso não ocorreu contra o Independiente.
Quando saímos da letargia, já estava 2 a 0.
A boa notícia, se é que posso rotular uma derrota assim, é que, ao contrário dos anos passados, a noite trágica não veio no mata-mata.
Há chance de aprender e de se recuperar.
Não quis fazer análise do time.
Todos sabemos nossas carências.
E queremos mais tempo com Pedrinho em campo.
Mas o buraco é mais embaixo.
A maturidade que demonstramos sempre nas competições daqui tem que ser cultivada no embate contra os gringos.
Que assim seja!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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