O que passa na cabeça de um adversário do Corinthians
Opinião de Roberto Gomes Zanin
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Carille instala seu software mental em Maycon
Foto: Danilo Augusto Jr. Agência Corinthians
Vai começar o jogo. Sei que será muito difícil. Terei muito trabalho. Vou enfrentar o Corinthians.
No ano passado os caras se perderam. Tive a chance de jogar contra um Corinthians que não era o Corinthians. A diretoria deles parece ter se esquecido que, a partir de 2009, a equipe se tornou a única do futebol brasileiro a manter uma escola de jogo.
E em 2017, os caras reencontraram o caminho. A filosofia, que combina com o DNA do clube, baseada em muita determinação, posicionamento, inteligência tática e principalmente, concentração.
Acho que o grande trunfo do Corinthians é a absurda concentração que o time mantém durante 90 e poucos minutos. Sabemos que os caras não vão dar bobeira, não vão se desestruturar por nada.
E nós, os adversários, fatalmente vamos dar uma desconcentrada. Sim, em termos de foco, o Corinthians é imbatível.
Tite e seu discípulo, Carille, parecem aquele cara do Matrix que programa o cérebro do Keanu Reaves. Depois de trabalhar com eles, o jogador parece mentalizar a palavra "concentração".
Até quando, exceção das exceções, após estar ganhando por 2 a 0, vacilar dois minutos e tomar o empate, o time não se descontrola. O mantra "concentração, concentração," parece martelar na mente dos caras, eles voltam ao jogo e ganham de 5 a 2.
Outro software que Tite e Carille instalaram nos jogadores é o 110% de rendimento. Na mão deles, todos conseguem render o máximo que podem mais 10%, ao menos que o cara seja um zumbi, como um Guilherme da vida.
Dessa forma, o perna de pau vira jogador mediano, o mediano vira bom e o bom se torna ótimo.
Os caras falam dos "craques" do Palmeiras, do Flamengo ou do Atlético, mas meu pior pesadelo começa agora. Subo a escadaria e entro no gramado para enfrentar o Corinthians.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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