Denys Veras
Temos que parar de chamar automaticamente os times europeus de “gigantes”, como se isso fosse uma verdade absoluta e neutra. A Juventus é, sim, um clube grande, tradicional e respeitado. Mas repetir o rótulo de “gigante” o tempo todo — como fazem muitos dos principais sites — cria uma hierarquia simbólica que coloca o futebol europeu num pedestal quase incontestável.
Isso me incomoda porque parece que devemos nos sentir honrados quando eles vêm buscar nossos talentos, nosso “ouro”, lapidam lá fora e multiplicam o dinheiro — enquanto aqui ficamos com a sensação de dependência. A lógica lembra um padrão histórico: há mais de 500 anos riquezas saem de territórios explorados para embelezar e fortalecer centros de poder. Hoje, o mundo inteiro viaja para admirar catedrais e monumentos erguidos com recursos extraídos de regiões que permaneceram empobrecidas.
No futebol, talvez esteja na hora de rever o discurso. Reconhecer a grandeza deles mas se colocar em pé de igualdade.
Em comparação a Juventus, por exemplo, a torcida deles não passam 9 milhões de pessoas.
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