Bidu Tetéia
Pode doer admitir, mas faz tempo que a Seleção Brasileira deixou de ser aquele time que entrava em campo e assustava qualquer adversário. Hoje, olhando friamente, não temos a mesma qualidade individual e coletiva que nossos antepassados tinham.
Estamos sem um centroavante de respeito, sem um meia armador, sem laterais confiáveis, sem volante dominante, sem goleiro incontestável, sem direção, sem vontade, sem tesão, sem preparo, sem seriedade, sem ambição, sem qualidade, sem auxiliares técnicos à altura e sem uma gestão profissional na CBF. Resumindo: estamos sem quase tudo.
Antes, bastava vestir a camisa amarela que o adversário já entrava pressionado. O Brasil tinha talento de sobra, jogadores que decidiam partidas, improvisavam, driblavam e encantavam. Havia uma identidade.
Hoje vemos um futebol burocrático, previsível e sem personalidade. E, por mais que muitos tenham achado exagero na época, aquele japonês estava certo: esse Brasil já não é mais o bicho-papão do futebol mundial.
Na tentativa de copiar o futebol europeu, estamos abandonando aquilo que sempre fez do Brasil uma potência: o drible, o gingado, a criatividade, a irreverência e a alegria de jogar bola. Perdemos nossa essência.
Lá fora, crianças cresceram sonhando em ser como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Cafu, Roberto Carlos, Romário e tantos outros. Hoje, pergunto: quantas crianças realmente sonham em vestir a camisa de algum jogador dessa Seleção?
O que sinto não é tristeza pelas eliminações. É vergonha de ver a camisa mais pesada da história do futebol sendo tão mal representada. A camisa verde e amarela perdeu o respeito que impunha.
Até quando vamos assistir a esse futebol sem alma? Até quando veremos atletas tratando a Seleção como um compromisso qualquer? Até quando a CBF continuará sendo administrada dessa forma?
Só o futuro dirá. Mas, se nada mudar, o Brasil continuará vivendo apenas das lembranças de um passado que parecia eterno. 🇧🇷⚽
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