Corinthians precisa remunerar (e bem!) os membros da sua diretoria
Opinião de Ana Paula Araújo
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Corinthians precisa remunerar (e bem!) os membros da sua diretoria
Foto: Meu Timão
Você entrou aqui para me xingar, eu sei!
Como é que eu posso falar em remunerar membros da diretoria com o caos que está instalado no clube? Com tantos escândalos estourando?
Calma. Eu não estou falando de diretores estatutários — esse modelo político arcaico que ainda vigora no Corinthians. O que eu estou propondo é algo diferente: uma diretoria profissional de futebol, que o clube precisa urgentemente criar. Algo parecido com o que foi feito com o Fred Luz no Flamengo.
Estou divagando sobre uma medida intermediária: que não é SAF, mas também não mantém o poder decisório nas mãos de quem não tem preparo nenhum para isso.
Para quem não sabe, o artigo 103, inciso 7, do estatuto do Corinthians veta qualquer tipo de remuneração aos membros da diretoria. Ou seja, mesmo que a gente queira avançar, o próprio clube se engessa. E isso precisa mudar.
Reprodução/Corinthians
Isso não soa estranho pra vocês? Como podemos assumir que alguém vai simplesmente deixar de lado sua vida pessoal e financeira para se dedicar exclusivamente a um clube de futebol, sem receber nada por isso?
Se a diretoria estatutária for continuar existindo, que seja apenas com a função de fiscalizar o trabalho de profissionais de mercado. É o mínimo.
Veja bem: a chance de o Corinthians se tornar uma SAF é remota. Isso teria que passar por todos os entraves do estatuto. Teria que mudar regulamento, convencer quem não quer largar o osso — e a gente sabe como isso funciona.
Por outro lado, a criação de cargos profissionais já é prevista e pode ser implementada. Já vimos isso acontecer. Basta vontade política e coragem para romper com o amadorismo.
Ao remunerar executivos, o Corinthians pode exigir resultados concretos. Um dirigente profissional tem metas, presta contas e é avaliado por desempenho — como ocorre em qualquer empresa moderna. Isso reduz decisões movidas por interesses pessoais ou políticos.
Já sabemos que diretoria voluntária atua de forma amadora e/ou parcial, acumulando erros administrativos, contratos mal negociados e perda de oportunidades. Um modelo profissional permite mais dedicação e foco total na saúde financeira e esportiva do clube.
Clubes que se profissionalizam, como Flamengo e Palmeiras, colhem resultados em campo e nas finanças. Com diretores profissionais, o Corinthians pode seguir um modelo de planejamento de longo prazo, algo impossível com rotatividade política e sem compromisso de gestão moderna.
Remunerar não significa “gastar mais”, mas sim dar ao torcedor o direito de cobrar e fiscalizar. Com salários vem também o compromisso com a ética, relatórios, transparência de decisões e prestação de contas.
Neste momento, para mim, a única saída para o Corinthians é essa. Ou esse pessoal que frequenta o Parque São Jorge levanta e sacode a poeira ou o clubinho que eles tanto amam vai afundar junto com o futebol. Não há mais saída e eles precisam ver isso se ainda querem manter um pouquinho dos seus benefícios.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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