Há muito o que se explicar e não só sobre quem gastou indevidamente em nome do Corinthians
Opinião de Ana Paula Araújo
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Corinthians tem sido alvo de diversos escândalos fiscais nos últimos tempos
Foto: Meu Timão
Dia após dia, o torcedor é exposto aos mais inacreditáveis gastos com o cartão corporativo do clube e apresentação de notas fiscais e cupons com compras que não se aplicariam a gastos com o clube. De remédio para disfunção erétil, viagens, churrascos, aparelhos de barbear e até mercadinho com localização duvidosa, a única coisa para a qual cartão, notas e cupons não serviram foi para seus propósitos.
Afinal, o cartão pode ser usado para quê?
O próprio clube respondeu isso numa nota publicada ainda este ano, sob a gestão de Augusto Melo, onde diz que o cartão corporativo é usado "exclusivamente para despesas relacionadas a viagens, hospedagens, refeições e outras necessidades operacionais ligadas às atividades do clube, incluindo os esportes profissionais e de base, envolvendo atletas e funcionários dessas áreas."
Pode pedir reembolso por notas fiscais e cupons?
O Meu Timão publicou, através de matéria original do ge.globo, que durante o mandado do presidente Duilio, a presidência teve adiantado em três oportunidade, 80 mil em espécie.
- R$ 30 mil em 2 de outubro;
- R$ 20 mil no dia 16;
- R$ 30 mil no dia 30.
No entanto, ao longo de 36 dias, os gastos ultrapassaram esse valor em R$ 6.524,62. Essa diferença teria sido, posteriormente, reembolsada pelo clube, mediante a apresentação de notas fiscais e cupons.
Quem fiscaliza as contas do Corinthians?
O artigo 120 do estatuto do Corinthians estabelece, em seu parágrafo único, que a execução orçamentária será fiscalizada pelo CORI, Comissão do Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, com base em balancetes trimestrais e balanço anual auditado.
Reprodução/ Estatuto Corinthians
Como essas contas foram aprovadas?
Essa é a pergunta que mais incomoda. Como tantas despesas, tão passíveis de desconexão das atividades do clube, puderam ser aceitas? Quem deveria fiscalizar, fiscalizou mesmo?
Tão responsável quanto quem gastou de forma imprópria é quem não viu esses gastos, seria, na melhor da hipóteses, irresponsabilidade e incompetência, flertando com a falta de ética. Na pior, conivência e cumplicidade.
Se as denúncias forem confirmadas e o estatuto for aplicado com rigor, não apenas ex-presidentes, mas conselheiros também podem ser responsabilizados. Afinal, juntos, permitiram que os cofres do clube fossem utilizados de maneira que merece, no mínimo, uma investigação profunda — e, talvez, consequências institucionais e legais muito sérias.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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