O segredo por trás das crises do Corinthians
Opinião de Ana Paula Araújo
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Hoje opositores, Augusto Melo e Osmar Stabile já foram aliados
Foto: José Manoel Idalgo / Agência Corinthians
Por diversas vezes, observei os dirigentes do Corinthians transferirem a responsabilidade de problemas atuais para gestões anteriores. Recentemente, o atual presidente, Osmar Stabile, afirmou que “não fomos nós que causamos”, ao ser questionado sobre o transfer ban que ainda permanece em vigor.
Em outra ocasião, seu antecessor, Augusto Melo, usou um discurso semelhante: “Essa dívida não é minha”.
Esse tipo de postura tornou-se recorrente entre quem ocupa o cargo máximo do clube. O torcedor, cansado, precisa ouvir justificativas vazias e declarações que beiram o desrespeito. Afinal, onde estavam esses dirigentes antes de assumirem a presidência? Ambos participaram ativamente das decisões internas, integraram conselhos e exerceram cargos de confiança. É contraditório, portanto, tentarem se isentar de responsabilidades que ajudaram a construir. Fugir da culpa é fácil; difícil é resolver os problemas e não buscar os holofotes quando a situação melhora.
É lamentável ver o Corinthians à mercê de pessoas que, diante das dificuldades, preferem se esquivar em vez de agir.
No caso de Osmar Stabile, sua trajetória dentro do clube é longa e marcada pela influência nos bastidores. Conselheiro vitalício, ele ganhou projeção ao ocupar a vice-presidência de esportes terrestres na gestão de Alberto Dualib. Em 2009, tentou chegar à presidência, mas foi derrotado por Andrés Sanchez. Em 2018, cogitou uma nova candidatura, mas acabou recuando para apoiar Antônio Roque Citadini, aliança que não avançou após a impugnação da chapa.
Integrante do grupo “União dos Vitalícios”, Stabile sempre manteve papel ativo na política interna. Em 2023, voltou ao centro das discussões ao se aliar a Augusto Melo, unindo sua experiência à campanha do então candidato à presidência.
Quanto a Augusto Melo, sua primeira tentativa de comandar o Corinthians ocorreu nas eleições de 2020, quando terminou em segundo lugar, atrás de Duilio Monteiro Alves, representante do grupo da situação e sucessor de Andrés Sanchez. Apesar de ter se apresentado como opositor ao grupo Renovação & Transparência, Melo já havia trabalhado sob essa mesma gestão.
Entre 2015 e 2016, atuou como assessor nas categorias de base. Sócio do Corinthians há cerca de 40 anos, assumiu a presidência do clube tendo como vice-presidentes Osmar Stabile e Armando Mendonça.
Divulgação
Não é coincidência que os caminhos desses opositores políticos já tenham se cruzado por diversas vezes. A verdade é que todos dentro dessa estrutura se apoiaram mutuamente em algum momento. Dívidas, transfer bans e crises se acumulam, mas a responsabilidade parece sempre ser de outro. Talvez, segundo a lógica de quem comanda o Parque São Jorge, a culpa recaia sobre o torcedor, aquele que não é dono do clube, mas que paga o preço das más gestões de quem realmente se diz ser.
O Corinthians continua refém da mesma política há anos. Mudar o ocupante da cadeira presidencial já não basta. O clube precisa de uma transformação profunda, estrutural e ética.
Assim como grande parte da torcida, estou exausta dos mesmos discursos, das promessas vazias e desse jogo político arcaico. O Corinthians e a Fiel merecem mais, muito mais do que isso.
Então é esse o verdadeiro segredo por trás da crise no clube: cada dirigente passa a bola para o outro, e ninguém quer assumir o lance decisivo. Triste, mas é justamente esse jogo de empurra que sustenta a política do clube
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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