Perder para o adversário é do jogo, mas perder para a displicência é inaceitável
Opinião de Beatriz Maineti
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Romero em ação contra o Botafogo pelo Brasileirão
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Ramón Díaz saiu de campo no último sábado esbravejando sobre o espírito que faltou ao Corinthians para vencer o jogo dianter do Botafogo. Olhando de fora, a fala do treinador, que defende ter faltado intensidade ao elenco disponível, parece um pouco estranha. Afinal, sua equipe conseguiu competir com o líder do Campeonato Brasileiro e, no segundo tempo, exerceu uma certa pressão ao adversário em busca, pelo menos, do empate. Mas, pensando bem, o técnico não foi tão longe para cobrar seus atletas.
Na saída do estádio Nilton Santos no último sábado, a frase mais falada pelos jogadores do Corinthians na zona mista foi: "só erra quem bate". Esse foi o jeito que os atletas encontraram de defender o que fez Ángel Romero, um dos protagonistas do time na temporada, depois de ter perdido um pênalti contra o Botafogo. A cobrança, naquele momento, poderia ter empatado o jogo e levado a partida com empate para os vestiários.
Romero, que é considerado o principal batedor de pênaltis do Corinthians por Ramón Díaz, pegou a bola, pediu a cobrança, se preparou e, com o seu estilo característico, bateu no canto direito do goleiro John, que defendeu seu primeiro tento deste estilo na carreira no último sábado. Justo contra o Corinthians, né?
A frase, repetida tantas vezes nos últimos dias, é uma das poucas e rarissimas verdades absolutas do futebol. Nem é preciso muito esforço para explicar porquê: aquele jogador que se dispõe a bater pênaltis está mais sujeito a errar as cobranças e está tudo certo. É do jogo! O que não faz parte da cartilha futebolística é a displicência.
Na marca da cal, Romero pegou a bola das mãos de Rodrigo Garro, preparou a cobrança, tomou distância e, com seu tradicional "pulinho", bateu sem força nenhuma depois de dar todos os indicativos de qual canto tentaria alcançar. A defesa de John não foi milagre, não exigiu muito esforço do arqueiro. O atacante bateu um pênalti como nunca havia batido antes, sem determinação e cheio de displicência.
Há quem defenda que o jogador "sempre bateu assim" e que "ele fez isso contra o Grêmio e foi herói". Eu, com todo o respeito que carrego, preciso discordar. Em nenhuma circunstância, em qualquer uma de suas passagens, Romero bateu um pênalti como o do último sábado. Plasticamente, pela corrida e pelo salto antes de tocar na bola, pode até ser. Mas a força aplicada, a leitura pífia da movimentação do goleiro e o aparente desinteresse com a situação? Não, esses elementos nunca haviam sido contabilizados em uma cobrança de Ángel Romero.
Na atitude de Romero faltou o espírito que Ramón Díaz tanto pediu em sua entrevista coletiva e que, aparentemente, cobra dos jogadores no dia a dia. E justo nele, que parece ser a personificação do que o corinthiano mais aprecia em um jogador: a raça. No último sábado, isso faltou para o atacante, e faltou também para o volante Raniele, que, dentro de campo, parecia lutar com o torcedor por um momento melhor para o time.
O volante, no sábado, não conseguiu ser um esboço daquilo que ele foi. Guardadas as devidas proporções, principalmente pela qualidade do adversário, Raniele foi alvo fácil para os atacantes botafoguenses, que pintaram e bordaram nos espaços que ele deveria ocupar. Os dois gols marcados pelo Botafogo, inclusive, saem de falhas dele - tanto de posicionamento quanto de ação.
No caso de Romero, o jogo contra o Botafogo parece ter sido um lapso momentâneo de sua vertente original. Ele não é o jogador que, com o time precisando de pontos, se porta com tanta displicência na hora de decidir as partidas, e confio que isso não voltará a acontecer. Já Raniele parece sofrer para sustentar a postura que ele mesmo instituiu como parâmetro para si dentro do Corinthians.
Os dois jogadores podem - e devem! - ser utilizados como exemplo daquilo que faltou ao time, mas a verdade é que, um a um, quase todos os jogadores utilizados ali caberiam neste triste círculo. Para um, faltou assuir o protagonismo; para outro, faltou o entendimento do problema; para aquele que entra no segundo tempo, faltou a tranquilidade para resolver. Tudo isso, sem exceção, se encaixa no que é pedido por Ramón Díaz.
Ramón não mentiu. Faltou, sim, o espírito aguerrido ao Corinthians para vencer a partida, e isso vai muito além de correr o jogo todo, pressionar e roubar as bolas. O espírito pedido pelo Ramón tem muito a ver com o senso de urgência que toma conta do time nas disputas de copas, mas que parece faltar no Campeonato Brasileiro. Com 12 rodadas para o fim da competição, não existem mais "segundas chances". Perder no campo e bola acontece, é do jogo; perder para a displicência é completamente inaceitável.
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Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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