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Opinião de Beatriz Maineti
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Corinthians deve ceder Fagner ao cruzeiro por empréstimo
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
A notícia de que o Corinthians deve negociar a saída de Fagner para o Cruzeiro não deve ser vista como uma surpresa muito grande, embora ainda seja inesperada. O clube, que renovou com o lateral-direito de 35 anos por mais duas temporadas em julho deste ano, decidiu por emprestá-lo à equipe mineira até o final de 2025, e as coisas parecem estar caminhando bem para a transferência do atleta.
Lá, Fagner deve reencontrar Cássio, o goleiro com quem fez história no Corinthians ao longo da última década. Mais do que voltar a dividir o vestiário com o amigo e colega de profissão, o lateral deve chegar ao mesmo status do arqueiro: o de presente dos paulistas aos mineiros.
Quando Cássio entendeu que era a hora de sair do Parque São Jorge, deixou o Corinthians com “uma mão na frente e outra atrás”. Não é preciso entrar no mérito dos motivos que o levaram a isso e nem das circunstâncias que encerraram sua passagem. O ponto a ser discutido aqui é o modelo de negociação.
Na verdade, usar o termo “negociação” aqui não é a melhor opção. Afinal, este processo nunca aconteceu. O goleiro decidiu por rescindir seu contrato com o Corinthians sete meses antes do fim do vínculo estipulado com o clube e embarcou para Minas Gerais, antes mesmo de poder estrear pela equipe, então comandada por Fernando Seabra. O Timão ficou a ver navios: sem perdão de dívida, sem compensação financeira e com um rombo embaixo das traves.
Cássio queria sair e, apesar dos esforços para convencê-lo do contrário, o Corinthians não conseguiu segurá-lo. Tudo bem, faz parte. O estranho nisso tudo é a passividade do clube em aceitar os termos propostos pelo goleiro para a rescisão, sem tentar, de uma forma ou de outra, um ressarcimento financeiro. No máximo, o time conseguiu a desculpa de “aliviar a folha salarial” por não ter mais que bancar os salários do arqueiro.
Esta desculpa, aliás, é a mesma utilizada pelo clube agora, sete meses depois da saída de Cássio. O Corinthians aceitou ceder Fagner ao Cruzeiro, mesmo time para o qual rumou o ídolo corinthiano, por empréstimo de uma temporada e, segundo informações do ge.globo, deve arcar com pouco menos da metade dos salários do lateral.
A saída de Fagner pode ser discutida, mas já era esperada. Aos 35 anos, o jogador perdeu a titularidade para Matheuzinho na bola e, embora fosse uma peça importante para a construção e força do elenco corinthiano, poderia querer novos ares para seguir na ativa. Mais uma vez: tudo bem, faz parte. Ciclos se encerram e ele pode, sem sombra de dúvida, tentar algo diferente em sua carreira que, convenhamos, não deve ter mais tanto tempo de duração.
Para o Corinthians, porém, a negociação passa longe da lógica. Claro, analisando de uma forma rasa, o clube deixa de arcar com a totalidade dos altos salários do jogador mensalmente e, mais uma vez, “alivia a folha salarial”. Mas não é preciso se aprofundar tanto no assunto para entender que esta economia é, no mínimo, superficial.
Pensem comigo: o Corinthians ainda vai pagar parcialmente os salários do Fagner. Além disso, vai precisar buscar no mercado - nacional ou internacional - uma reposição, já que ficaria relegado a Matheuzinho e Léo Maná para a lateral direita. Não me levem a mal, são dois bons jogadores e, atualmente, o camisa 2 é o titular da equipe de Ramón Díaz, sem discussão. Mas o time precisa de um nome mais pronto para assumir a lacuna deixada pelo principal jogador do setor caso ele não possa atuar.
Lateral é uma posição escassa no mercado. Lateral bom, então, mais ainda! Com isso, o clube não deve conseguir uma pechincha por um cara para substituir Fagner. Com isso, a menos que entenda que Léo Maná dá conta do recado, a economia feita com parte dos salários do camisa 23 vai direto para o investimento em outro atleta, e não me surpreenderia se o Timão precisasse inteirar o valor a pagar pelo novo jogador.
O Cruzeiro, por outro lado, ganha um lateral-direito experiente, formado e pronto para os desafios da equipe em 2025 pagando pouco mais de 50% dos seus salários. Fagner não vive seu melhor momento esportivamente e não podemos negar isso. Ainda assim, é uma voz de liderança, de cuidado interno e com costas largas para assumir a posição quando necessário.
O Corinthians reforça um rival direto nas metas nacionais e ainda vai precisar vasculhar o mercado em busca de um novo jogador. Tudo isso enquanto paga parte dos vencimentos de quem vai vestir azul no próximo ano.
É isso que não faz parte. Fagner fez história por aqui e uma última temporada ruim não deve apagar isso. É um ídolo para muitos, principalmente para as novas gerações - e assim deve ser! A diretoria, porém, precisa entender que nada disso deve ser maior do que os interesses do clube.
Em uma analogia simples, o Corinthians foi comprar um picolé de R$ 5 em um dia quente de verão e ouviu do vendedor que, se comprasse dois, pagaria R$ 10, mas apenas R$ 15 se optasse por levar o terceiro. O clube se animou com a possibilidade e aceitou a oferta como se fosse uma oportunidade imperdível! No fim, deve sair no prejuízo.
Feliz Natal, Pedrinho.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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