A má intenção do STJD encontrou na incompetência do Corinthians sua vítima perfeita
Opinião de Daniel Keppler
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STJD julgou denúncias sobre o Dérbi nesta sexta-feira
Foto: Reprodução / STJD
Todo mundo já sabia muito bem o que aconteceria no julgamento desta sexta-feira, promovido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), sobre os incidentes ocorridos no Dérbi do último domingo. A má intenção contra o Corinthians sempre ficou clara em todas as atitudes do órgão, que deixava claro que queria fazer do clube um exemplo histórico.
O desespero para isso foi flagrante: já na segunda-feira, as denúncias estavam feitas. Sete ao todo, sendo seis contra o Corinthians. Pedidos de suspensões contra Hugo Souza, por ter ousado falar da arbitragem na entrevista pós-jogo; contra André e Matheuzinho, ainda que estes já tivessem sido punidos em campo com as expulsões (mas isso não bastava, óbvio); contra Breno Bidon e o preparador de goleiros, por terem tentado defender os seus companheiros na absolutamente desleal briga pós-jogo entre atletas e funcionários do Corinthians contra os seguranças do Palmeiras, que pareciam estar ali só para isso.
Já para o rival, foi reservada somente uma denúncia, justamente pelo envolvimento nessa briga, prevendo apenas uma multa — e nem isso estava garantido como punição. Um julgamento pautado pela decência, pela honestidade, não ignoraria que Gustavo Gómez usa uma disputa de bola que jamais chegou perto de existir para agredir Garro com uma cabeçada na nuca do argentino, caindo logo em seguida no chão como se ele fosse a vítima. Também não deixaria passar a cotovelada covarde de Flaco López em Breno Bidon, que o vídeo não deixa margem para discussão: foi dada com mira, com vontade, com intenção.
Pergunto-me o que faltou para o STJD buscar punição para esses casos. Estaria o tribunal pressionado demais após aplicar a Abel Ferreira seis jogos de suspensão, após quase seis anos de complacência com a postura descontrolada do português na beira do campo? Enquanto ele estiver fora, os seus jogadores terão licença para bater? Vai funcionar assim o bastidor?
Mas enfim, voltando. As denúncias foram feitas e, logo no dia seguinte, o procurador Caio Porto Ferreira foi correndo até a ESPN justificar tudo e reforçar bem claramente qual era a ideia do tribunal: fazer o Corinthians de exemplo. Para ele, André merecia uma pena "pedagógica" porque o Allan já tinha sido expulso antes pelo mesmo tipo de gesto. O que o André tem com isso? Nada, mas não importa, tem que pagar mesmo assim. Já Hugo Souza, ora, não tem que falar de arbitragem. Ele tem que abaixar a cabeça e falar das suas ótimas defesas no jogo; afinal, é isso que o promotor gostaria de ouvir dele...
O Corinthians também precisaria ser punido exemplarmente; afinal, como pode o clube permitir que um drone sobrevoe o estádio? O promotor chegou a comparar o caso com a cabeça de porco, ignorando totalmente os esforços que o clube promoveu para responsabilizar o autor (foi condenado na Justiça, inclusive). Não adianta de nada: punição exemplar também, a pelúcia era muito perigosa!
Diante do circo armado, o que o jurídico do Corinthians deveria fazer? Seu trabalho, óbvio. Uma defesa altiva, que protegesse a instituição, os jogadores, o funcionário. Que demonstrasse a desproporção das acusações diante do que ocorreu de fato. O que recebemos no lugar disso: uma defesa tão passiva, tão conformada, que surpreendeu os próprios membros do STJD. Uma defesa que aceitou tudo o que foi imputado e só faltou pedir desculpas pelo Corinthians existir.
Ora, se o próprio clube aceita se sujeitar dessa forma, então não resta ninguém para defendê-lo, não é? E com isso o tribunal teve caminho livre para um julgamento regado a complacência e hipocrisia, reservando absolvições a Bidon e ao preparador de goleiros só para não dar muito na cara, sabem?
Hugo Souza levou dois jogos de suspensão, pois é grave demais criticar os semideuses da arbitragem. Já que não calou a boca, tome punição. André levou um jogo, mesmo que já tenha sido expulso na partida e o próprio Corinthians tenha multado o atleta — o STJD teve a pachorra de usar essa multa, inclusive, como motivo para aplicar a suspensão! E Matheuzinho levou quatro jogos, com parte do tribunal só faltando condenar um de seus membros que discordou da denúncia, por ter visto o vídeo do jogo e não ter enxergado o soco descrito na súmula. Para seus colegas, era um erro usar o vídeo para formar opinião. Sim, você não leu errado.
Mas o ponto mais alto (ou mais baixo) ficou mesmo para as denúncias contra o próprio clube. O Corinthians foi multado em R$ 10 mil, por exemplo, por não impedir que o drone sobrevoasse o gramado. Diante do questionamento sobre como o clube poderia evitar isso, a resposta foi: "Não sei, mas tinha que prevenir". A vontade de punir era muito maior que o interesse em aplicar o artigo.
Já sobre o caso de racismo, o STJD conseguiu ser ainda pior, gritando hipocrisia ao tirar um mando de campo do clube, além da multa de R$ 80 mil. Um episódio envolvendo uma ou duas pessoas, onde o Corinthians garantiu fazer de tudo para identificar e punir os responsáveis. Mas nada disso bastou, e assim como no episódio da homofobia há alguns anos, vamos servir de exemplo máximo, a partir de um padrão que nunca mais vai ser aplicado a ninguém. Pior que isso é a mensagem passada: para o STJD, não importa que se tente identificar os racistas, o clube é culpado e todo o restante da torcida tem que pagar.
Esse julgamento vai ficar marcado como mais um episódio onde a instituição Corinthians é vitimada pela incompetência dos seus gestores, que tornaram o clube nulo nos bastidores e presa fácil para a fome do STJD de fazer história da pior forma possível. Só me resta imaginar se as coisas poderiam ser diferentes se alguns no Parque São Jorge se preocupassem mais com seu trabalho e menos com acordos políticos e tentativas de golpe.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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