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Mirar em Piccinato pelas derrotas do Corinthians abafa a culpa que vem da diretoria
Daniel Keppler

Jornalista, 37 anos. Repórter do Meu Timão desde janeiro de 2026, com passagem anterior pela Central do Timão. Corinthiano desde sempre!

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Mirar em Piccinato pelas derrotas do Corinthians abafa a culpa que vem da diretoria

Lucas Piccinato é treinador do Corinthians Feminino desde 2024

Foto: Meu Timão

Há menos de uma semana, a torcida do Corinthians vivia um misto de tristeza e orgulho com a partida do time feminino no Mundial de Clubes. A derrota para o Arsenal, jogando na casa delas e forçando uma prorrogação que poucos esperavam, com alguns milhares de corinthianos apoiando nas arquibancadas, sob os olhares admirados do planeta, nos deixou esperançosos para o restante da temporada.

Era consenso, àquela altura, que a Supercopa, marcada para poucos dias depois da batalha em Londres, seria um jogo atípico e muito desafiador. Muitos, ainda indignados pela péssima condução da CBF na escolha do local e divisão de torcida contra o Palmeiras (divisão essa que jamais aconteceu, no fim das contas), chegaram a sugerir um boicote ou o envio do time Sub-20 alvinegro para o duelo. É óbvio que isso não aconteceu.

O que vimos na Arena Barueri foi a escalação de um time, surpreendentemente, muito próximo do ideal. Apesar de o elenco ter desembarcado no Brasil apenas na terça-feira. Apesar de as atletas terem se reapresentado apenas na quinta-feira, para treinos leves e testes físicos. Apesar de o time ter feito apenas um único treino de fato focado nas rivais da Supercopa, na sexta-feira, durando 60 minutos e nada mais.

Apesar de todos os pesares, fomos para o Dérbi com o que tínhamos de melhor. E o que vi em campo foi um time que sofreu com a desigualdade física, sim, mas que não se omitiu do duelo. Abriu o placar cedo, sofreu o empate, e teve todas as condições para vencer no tempo normal: duas bolas na trave e pelo menos quatro chances claríssimas de marcar o segundo, todas desperdiçadas. Nos pênaltis, três cobranças perdidas. Nenhum time que erra tanto contra um rival em uma decisão pode querer sair impune.

O vice-campeonato, terceiro seguido do Corinthians Feminino e (também) terceiro seguido em decisões contra o Palmeiras, bastou para que os torcedores entrassem em guerra nas redes sociais, apontando em sua maioria um culpado para as derrotas em sequência: o técnico Lucas Piccinato. Para essa parte da torcida, o treinador é o responsável pela derrocada do time desde 2024, com sua demissão sendo urgente.

É um discurso sedutor, porque é fácil e atende à ilusão da torcida de que os problemas das Brabas são simples de resolver. Justamente por isso, esse discurso também é extremamente perigoso. Ele disfarça outras responsabilidades, que explicam muito melhor porque a hegemonia alvinegra na modalidade vem sendo cada vez mais ameaçada - se é que ainda existe, da forma que conhecemos.

Lucas Piccinato está em sua terceira temporada à frente do Corinthians, aceitando um convite que outros profissionais não tiveram coragem de aceitar - alguns desses, inclusive, seguem sendo pedidos pela torcida por aí, mas enfim. Assumiu um trabalho que é insubstituível, insuperável. Ele nunca vai superar Arthur Elias. Nunca poderia. Mas alguém poderia? Penso que não, então essa não deve ser nossa régua para avaliá-lo.

Ele comete erros, é óbvio. Sua tomada de decisões é difícil de ler, muitas vezes. Mas o que mais importa sobre seu trabalho não está dentro de campo, e sim fora. Piccinato nunca teve as condições de trabalho que seu antecessor teve, e o responsável por isso despacha de segunda a sexta no quinto andar do Parque São Jorge.

O primeiro grande golpe da diretoria corinthiana contra Piccinato ocorreu logo após sua chegada. Cris Gambaré, que por anos deu a Arthur Elias o suporte que ele necessitava junto à gestão, comprando as brigas necessárias e chamando atenção para as pautas do departamento, rumou para a CBF e não deixou qualquer projeto administrativo como legado para o Corinthians. Indicou para seu lugar uma pessoa de sua confiança que, tenho certeza, faz o que pode, mas não é uma profissional de mercado, daquele tipo que o Corinthians precisava.

Ainda durante 2024, foi ficando claro, aos poucos, que a nova gestão não tinha o futebol feminino como uma prioridade. As poucas promessas do candidato Augusto Melo para a modalidade viraram um deserto de ações após sua eleição. Pela primeira vez, as jogadoras tiveram premiações sendo atrasadas e o final da temporada foi um verdadeiro show de horrores com a saída sem custo de atletas medalhistas olímpicas.

O ano passado seguiu no mesmo ritmo, com a perda de influência nos bastidores, reposições no elenco que fizeram o nível técnico da equipe decair, o sumiço do time da Neo Química Arena, o desleixo com a Fazendinha (interditada pela FPF por problemas de iluminação) e mais premiações atrasadas, logo após quitar as de 2024 com um ano de atraso. Importante dizer: a cassação de Augusto Melo e a chegada de Osmar Stabile não mudou quase nada deste cenário.

Veio aí, então, 2026. Com um Mundial de Clubes da Fifa em vista, a janela de transferência foi um pouco melhor, mas não o suficiente para preencher lacunas que foram escancaradas aos olhos de todo o planeta, sobretudo na defesa. Isso para não falar da questão envolvendo os vistos de Robledo, Day e Paola, que eu não sei, e talvez nunca vá saber, se fizemos mesmo todo o possível para evitar. Nem vou falar no verdadeiro desmanche que estamos sofrendo no staff do profissional e da base, isso valia uma coluna à parte até.

Enfim. São mais de dois anos onde os problemas alheios ao Corinthians Feminino afetam diretamente o departamento e sua capacidade de funcionar plenamente. E ainda assim, Piccinato possui 70 vitórias em 99 jogos, ou 77% de aproveitamento. Em 11 torneios disputados, apenas uma vez sua equipe não disputou o título, vencendo metade das decisões. É o único treinador na América do Sul a conquistar duas edições seguidas da Copa Libertadores. É um trabalho que tem seu valor, e isso não se pode negar.

Também é um trabalho que me faz questionar o quanto tudo poderia ser melhor se não fossem os problemas extracampo, sob os quais o treinador não tem qualquer controle. Teríamos determinadas jogadoras no elenco se o investimento nas janelas de transferência fosse maior? Nossas atletas jogariam mais motivadas se não estivessem há duas temporadas vendo suas premiações sendo atrasadas, com o dinheiro usado para outros fins no clube? Nossa capacidade de atrair grandes atletas seria maior se a instituição não vivesse com seu nome pipocando em páginas policiais e processos na Justiça?

Eu entendo que o meu ponto aqui é complexo. Além disso, eu não me sinto confortável de colocar todas essas questões sem levantar uma solução. O problema é que, na verdade, não há solução. O Corinthians está em crise, e essa crise está ferindo as Brabas. E analisar o trabalho de Piccinato sem colocar isso na conta é simplista. É um trabalho que está condicionado por limitações impostas a ele desde o primeiro dia, e que só vem se agravando desde então. E por isso, obviamente, é um trabalho cheio de tropeços, cheio de erros. E é um erro pensar que seria diferente com outro treinador no lugar.

Por esses erros, podemos e devemos culpá-lo. Ele não é inocente nessa história, assim como as jogadoras também não são. Mas a responsabilidade do Piccinato tem um limite, e esse limite é atingido quando a parcela de culpa que vem do quinto andar aparece. Não podemos fingir que ela não existe, nem devemos escondê-la.

Se queremos que, um dia, as Brabas sejam de novo tudo aquilo que nos acostumamos a ver, temos o dever de exigir que a diretoria dê a elas a atenção que fizeram por merecer após dez anos empilhando troféus e nos dando orgulho de ser corinthianos. É o nosso papel como torcedores. Que tenhamos sabedoria para exercê-lo.

Veja mais em: Corinthians Feminino, Diretoria do Corinthians e Lucas Piccinato.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Daniel Keppler

Jornalista, 37 anos. Repórter do Meu Timão desde 2026, com passagem anterior pela Central do Timão. Corinthiano desde sempre! Entusiasta do futebol feminino, sempre dedicado a desvendar os bastidores.

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    @vanessa.silva16 em

    A culpa é dele apartir do momento que ele monta o elenco dele, algo que ele não sabe fazer, desde quando veio pra cá nunca monta um elenco descente sempre tá faltando quando não é zagueira, é centroavante, é volante e agora laterais, jogadoras que jogam só com o nome e ele não tira, no jogo contra o Arsenal a gente estava tomando uma pressão tremenda e ele esperou tomar o gol pra mexer, os títulos que ganhou você nunca via o trabalho dele era sempre os destaques individuais e jogadoras que ficaram do excelente trabalho do Artur, Tamires msm é um grande exemplo com o Artur já não jogava mais de lateral quase sempre vinha Yasmim com ela mais adiantada, tem jogadoras que não tem a menor condição de estar no Corinthians e quem monta o elenco é ele, hoje qualquer um da um nó tático nele, elas perderam muito gol sim e sempre perdem, mas é evidente que o time decaiu e que ele e a Isis não tem condições de estar no clube

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    @henrique.garcia5 em

    Tirar Andressa Alves e colocar Johnson todos os jogos é um erro recorrente do treinador. Perde-se a melhor jogadora e coloca alguém que não agrega. Johnson entrou mal contra o Arsenal e novamente perdeu pênalti decisivo ontem.
    Dito isso, a gestão da múmia é uma vergonha e ele não liga pra futebol feminino porque não gera dinheiro pros amigos dele

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    Diretoria péssima, mas o treinador também tem culpa!

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    78º. @jose.fernandes.vieir em

    Para mim a culpa é da diretoria, pois foram eles quem mantiveram esse incompetente no comando das brabas, eu até acho que ele não tem culpa pois fez o que era possível fazer, pelo que não sabe fazer, ou seja nada!

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    Claudio 4595 comentários

    77º. @claudio-antonio em

    Ele tem toda a culpa na parte que lhe cabe, a esportiva! Veja o que estão jogando nas costas da Jhonson...O problema não está na menina não, o problema é técnico e tático, comando fraco...se você tem um filho e não sabe criar e educar, elê vai virar o quê? Então, essa comissão técnica e muito fraca, falta fundamento pra ela se desenvolver, parte psicológica mais ativa, mostrar a ela qual é a diferença de jogar no profissional, ainda mais no Corinthians...isso serve para todas as outras jovens também...quanto as veteranas Tamires, Juliete e Érika, elas têm consciência de que não dá pra jogar com intensidade mais, agora, tirando a Juliete, as outras são experientes e Craques, um técnico inteligente saberia aproveitar isso delas, como fez o Arthur Elias com a Zanotti, que o Piscinato não estragou isso porquê e a Zanotti, a craque, e ele seria trucidado...ainda bem!
    Portanto, se não houveram mudanças profundas nessa estrutura, vai ficar cada vez mais pior...sem contar que a dona Íris também é fraca e conivente com as RATAZANAS, que não estão nem aí pra modalidade, a não ser pra pegar a grana delas...tem jogadoras com muito potencial, só que precisam ser lapidadas, mas não por essa comissão fraca e omissa...assim como as que não dá mais pra ficar no Clube, como Carol Nogueira, Passari, Ariel Godoi e Juliete, essas sim tem que serem dispensadas...Ellen, Marussi, Duda Mineira, Manú Olivan e Rafa Rocha, todas tem futebol pra serem lapidadas, pois teem futuro, só que o tempo vai passando, e eles não sabem o que fazer para desenvolve-las.
    Perdemos a Eudimila, Letícia Santos e logo logo será a Robledo e Rhaissa se continuar com essa comissão fraca, gerida por essa Diretora também fraca e omissa.

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    Cristiano 3225 comentários

    76º. @cristiano.silva10 em

    Para mim a culpa é do treinador que escala mal, Corinthians tem um bom time com boas reservas, não tem desculpas.
    Só não concordei com esse jogo agora, devido ao mundial.
    Outra coisa vejo nesse time muita vaidade as meninas acham que vão ganhar a qualquer momento e ai acontece o que aconteceu novamente, no jogo de sábado pelo menos em dois lances um com a Jaqueline e outro com a Duda as meninas tinham opções para tocar a bola para companheira fazer o gol e preferiram chutar no gol.