O Corinthians de duas caras
Opinião de Felipe Sales
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Elenco do Corinthians no Dérbi
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
No último domingo, o Corinthians conseguiu a proeza de ser derrotado pelo Sport por 1 a 0 na Ilha do Retiro. O resultado, válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, representou apenas a segunda vitória da equipe pernambucana em 22 jogos — sendo este o primeiro triunfo em casa desde o dia 8 de março.
É impressionante como o Timão consegue complicar o simples. Perder pontos diante de um time virtualmente rebaixado, em um jogo que era obrigação vencer, mostra o tamanho da inconsistência desta equipe. Uma vitória aproximaria o clube do G6 e afastaria de vez qualquer risco de rebaixamento. Mas não, o Corinthians optou pelo caminho mais difícil.
O que intriga é a contradição. Como um time capaz de conquistar o Paulista sobre o Palmeiras e eliminar o rival da Barra Funda com vitórias em casa e fora na Copa do Brasil, consegue tropeçar diante do pior time do Brasileirão? Claro, há desfalques. Mas falta algo ainda mais grave, senso de urgência. A impressão desde a conquista do Paulistão é de que o Corinthians escolhe quando vai competir. E isso é inadmissível.
Contra os atuais integrantes da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o retrospecto é assustador. São cinco jogos, apenas uma vitória. E suada, de virada, na Neo Química Arena, justamente contra o Sport, mas no primeiro turno. Nos outros confrontos, empates contra Vitória e Fortaleza, ambos em casa, além de derrota para o Juventude em uma atuação repleta de erros.
Não há justificativa. O elenco joga uma vez por semana, tem tempo para treinar, descansar e entregar intensidade em todos os compromissos. Mas se contenta em viver da lembrança do título paulista, como se a temporada estivesse acabado em abril ou quando eliminou o rival.
Se no Brasileiro o desempenho oscila entre a apatia e a irregularidade, a Copa do Brasil exige muito mais. O adversário agora é o Cruzeiro na semifinal, com jogos previstos para dezembro. O time mineiro é o terceiro colocado no Campeonato Brasileiro e rival histórico que tirou o título do Timão na Copa do Brasil em 2018.
No próximo domingo, o desafio é o Flamengo, líder do Brasileirão. Talvez, diante do Clássico das Multidões, o elenco escolha jogar como Corinthians em uma partida válida pela 25ª rodada do nacional. Mas até quando a Fiel terá de conviver com esse time de duas identidades?
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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