O que o Corinthians precisa aprender com a negociação de Ederson
Opinião de Jorge Freitas
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Emprestado pelo Corinthians, volante Éderson (à direita) foi campeão pelo Fortaleza no último...
Foto: Karim Georges/FEC
O Corinthians enfim conseguiu negociar o volante Ederson para o mercado externo. Faltando apenas três dias para o encerramento da janela europeia, o Timão solicitou o retorno do meia, que estava novamente vinculado ao Fortaleza, para concretizar a sua venda à Salernitana, lanterna do campeonato italiano, que deve desembolsar algo em torno de R$ 36 milhões para contar com o jogador desde já.
Renegado pelo Corinthians após o término da temporada de 2020, Ederson rumou ao Nordeste para se tornar pilar de uma das melhores equipes da temporada passada, que garantiu, pela primeira vez em sua história, vaga na Libertadores da América, ficando, inclusive, à frente do alvinegro na classificação, além de ser semifinalista da Copa do Brasil.
Embora o futebol nordestino não receba tanto destaque no Brasil como merece, o fato é que Ederson foi emprestado a uma equipe estruturada, que vinha de importantes títulos recentes, como a Copa do Nordeste e a Série B. Além disso, em estudo realizado recentemente, o Fortaleza conta com a 16ª maior torcida do Brasil, cerca de 1,6 milhão de apaixonados pelo Leão, que tem feito bonito nos últimos anos.
Curioso é que essa não é a primeira vez que um jogador emprestado pelo Timão faz sucesso por lá. Em 2018, Gustagol foi peça chave na campanha que trouxe o Fortaleza de volta à elite do futebol nacional depois de mais de uma década, sendo artilheiro do Brasil com 30 gols na temporada e vice-artilheiro da série B. Tempos depois, também foi vendido, neste caso, para a Coreia do Sul, onde joga até hoje.
Ambos os casos citados acima confirmam a ideia de que é necessário saber emprestar jogador. Infelizmente, o Corinthians tem se acostumado a repassar jovens ou jogadores não aproveitados a equipes má estruturadas, com treinadores ruins e pouca capacidade de crescimento. Cansamos de ver jovens jogadores serem emprestados para equipes como Oeste, Ponte Preta, Bragantino e outros clubes do interior paulista.
Chegamos a ter vários jogadores emprestados ao mesmo tempo para a equipe de Itápolis, quando foi treinada pelo filho do presidente e acabou rebaixada na mesma temporada para a série A2 do Paulista e a C do Brasileirão, como lanterna.
É claro que não são todos os jogadores que encontram espaço em bons times do Brasil, mas conhecemos várias histórias de boas promessas que deixam de render o esperado por jogarem em equipes ruins.
O caso de sucesso de Ederson vem para mostrar que é fundamental também entender onde o atleta irá jogar, quem será seu treinador, quais os objetivos do clube, sua torcida e sua estrutura.
Como um ativo da instituição, qualquer jogador, mesmo que emprestado, precisa ser tratado com atenção. Caso contrário, encalham, entram em declínio ou saem tempos depois sem render nada ao clube.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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