Ramiro é a prova de que não basta raça para se firmar no Corinthians
Opinião de Luis Fabiani
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Lance em que arbitragem pegou falta de Ramiro em Lomba e anulou o gol de Luan, que saiu na sequência
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
O Corinthians teve poucos momentos de brilhantismo em 2020. Ainda em janeiro, com Tiago Nunes, deu sinais de que boas coisas estavam por vir. Um time vistoso, intenso, ofensivo e que parecia ser treinado pelo mesmo comandante há anos. Ramiro era titular absoluto da meia-direita, e viu o time sair dos trilhos quando se machucou e precisou ser afastado. Mais recentemente, com Vagner Mancini, o Corinthians voltou a mostrar que pode sim jogar bom futebol com o material humano que tem. Volta a ser intenso, marcar alto e busca ser o protagonista das partidas. Ramiro, outra vez, é titular absoluto - seja como meia ou volante.
Hoje, ainda que levante certa desconfiança em alguns torcedores, Ramiro vive seu melhor momento no clube. E não por coincidência, está ligado a um momento que o Corinthians joga bem. E agora, na fase boa, Ramiro tem sua raça constantemente ressaltada e elogiada pela Fiel.
Mas quando, de fato, faltou raça para Ramiro? Quando que o Corinthians se comprometeu pela falta de entrega e de vontade do camisa 8?
Em 2019, sob o comando de Fábio Carille, o futebol do Corinthians foi fraco. Não tinha qualquer repertório para vencer adversários minimamente estruturados. Ramiro, entre idas e vindas, não chegou a se consolidar nos onze titulares. E assim, em um péssimo momento coletivo do alvinegro, não teve sua vontade ressaltada pelos torcedores enfurecidos com o péssimo futebol da equipe.
Por isso, na minha opinião, o discurso que pede raça aos jogadores é, muitas vezes, demagógico. E esse excesso de vontade só é visto como uma virtude nos momentos que a equipe passa a conquistar bons resultados. Se analisarmos friamente os períodos de bom futebol do Corinthians em 2020, fica nítido que o sucesso momentâneo da equipe não era, majoritariamente, ligado à raça. Assim como, se olharmos para o período de instabilidade, vemos que não era raça que faltava para obter sucesso. No péssimo momento da equipe profissional, quando treinada por Dyego Coelho, a vontade e a gana pareciam, inclusive, ser as únicas virtudes da equipe.
Se voltarmos no tempo, lá para 2014, vemos que essa questão não é de hoje. No início de Ángel Romero no Corinthians, quando raramente marcava gols e sequer jogava, não havia quem elogiasse sua entrega acima de seu retorno técnico. Em 2017, quando de fato jogou bem e virou protagonista de uma equipe vitoriosa, o discurso de "basta raça!" voltou erroneamente à tona. Não, nunca bastou raça. Há de ir muito além disso para conquistar a torcida
Eu entendo que é um impulso natural do torcedor cobrar vontade dos atletas. Não estou aqui pedindo para que a massa analise friamente o desempenho coletivo da equipe. Mas peço que, mesmo nos momentos ruins, como com Dyego Coelho e Fábio Carille (em 2019!), a raça seja reconhecida da mesma forma que nos momentos bons.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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