Os méritos de quem não merece apenas críticas
Opinião de Matheus Pogiolli
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Ramón Díaz no banco de reservas no duelo contra o Palmeiras pelo jogo de ida da final do Paulistão
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Técnicos do Corinthians desde julho de 2024, Ramón e Emiliano Díaz ganharam destaque pela ótima campanha de recuperação do Timão no último Campeonato Brasileiro. Com a arrancada histórica, o Corinthians se classificou para a Libertadores 2025. Na atual temporada, porém, a equipe já se despediu da competição continental, além de ficar devendo desempenho em algumas partidas.
Nas últimas semanas, foi criado um movimento de críticas em relação aos comandantes corinthianos. Algumas dessas críticas são justas e eu, esporadicamente, as fiz. Isso é natural no futebol. Mas, os Díaz também têm seus pontos positivos e merecem elogios por alguns feitos nesta temporada, apesar dos obstáculos enfrentados. Vamos pontuá-los!
No início de qualquer ano, o habitual é existir uma pré-temporada. Neste ano, entretanto, as equipes brasileiras praticamente não tiveram tempo de preparação e estrearam na semana seguinte de suas respectivas reapresentações, obrigando os clubes a promoverem rodízios, prejudicando a sequência e repetição de escalações. Ou seja, primeiro ponto: pouco tempo para ajustes iniciais.
Boa parte dos clubes por aqui, ao contrário do Corinthians, contrataram vários jogadores e deram mais condições aos seus comandados. O Timão contratou apenas o lateral Fabrizio Angileri - e apenas nas últimas semanas. Algumas contratações ainda precisam ser feitas. Um lateral-direito reserva, um zagueiro, atacantes de velocidade... Sendo assim, segundo ponto: mão de obra e opções para mudar jogos.
Como terceiro ponto, trago os resultados conquistados até aqui. Mesmo com todos esses obstáculos que, sim, influenciaram diretamente em muitas questões, Ramón e seus comandados perderam só dois de 19 jogos em 2025. Desses, sete foram contra clubes de Série A e quatro pela Libertadores. Novamente reitero: Ramón e Emiliano mereceram as críticas recebidas pela eliminação na fase preliminar da Libertadores, mas não fazem um trabalho ruim. Aliás, longe disso.
O quarto ponto que citarei são ausências que prejudicaram o Timão no início deste ano. Dois dos grandes expoentes do ótimo segundo semestre de 2024, demoraram a estrear em 2025. Estou falando de Rodrigo Garro e Gustavo Henrique. O camisa 8 sofre com dores no joelho e não possui, neste momento, um reserva na posição. Igor Coronado também está lesionado. Gustavo, por sua vez, também contou com um problema que o afastou dos primeiros 12 jogos na temporada. Isso implicou diretamente nas diversas duplas de zaga escaladas pelos argentinos, já que nenhuma delas estava passando confiança.
Não estou, de forma alguma, justificando a eliminação na Libertadores, e muito menos deixando de pontuar os erros cometidos pelos treinadores na temporada. Eles erraram e mereceram as críticas. O que não podemos esquecer é que o Corinthians foi um dos times que mais sofreu com ausências importantes, que menos contratou e que, mesmo assim, tem um dos melhores aproveitamentos entre os clubes da Série A do Brasileirão. Precisou fazer um rodízio pela sequência surreal proporcionada pelo péssima calendário feito pelas federações e, ainda assim, teve resultado.
Por fim, proponho uma reflexão, levando em consideração o número de contratações, nível dos campeonatos e quantidade de jogos até o momento: qual time da primeira divisão do Campeonato Brasileiro apresenta um grande desempenho em 2025? Talvez, Flamengo e Internacional destoem do restante pelo que fizeram nos clássicos - além dos títulos estaduais, mas, fora eles, quais as equipes com ótimos desempenhos na atual temporada?
O trabalho feito em 2025 não é excepcional. Parte das críticas são justas e bem feitas. Porém, na mesma proporção, o trabalho não é horrível, e merece, sim, seus elogios - ainda mais com os obstáculos citados na coluna.
O Corinthians está na final do Campeonato Paulista - com vantagem conquistada no primeiro jogo, fora de casa, e prestes a iniciar sua trajetória nas Copas do Brasil e Sul-Americana, além do Campeonato Brasileiro. Não é momento de mudança. O Corinthians não pode cair no erro de trocar seu comando por existirem técnicos de nome livres no mercado. É momento de confiança no trabalho e, acima de tudo, evolução dessa equipe para, quem sabe, voltarmos a levantar uma taça depois de anos.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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