O maior desrespeito sofrido pela torcida do Corinthians
Opinião de Tomás Rosolino
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Fiel presente na Neo Química Arena
Foto: Ronaldo Barreto / Meu Timão
O torcedor do Corinthians cresce acostumado a ser feito de chacota pela condição popular do clube, quem tem mais de 20 anos certamente já ouviu alguma "piada" sobre torcer para "time de pobre", "favelado", "bandido", algo que, ainda bem, vem diminuindo nos dias de hoje. Nenhuma "piada" de rival, porém, atinge o nível de desrespeito pela torcida demonstrado pelo presidente do Conselho de Orientação, o Cori, Miguel Marques.
"O clube não é do torcedor, o clube é do associado", proferiu Miguel Marques à Rádio Bandeirantes, na última sexta-feira, abafado em meio a um discurso de Ricardo Capriotti. O conselheiro tinha a chance de se retratar, dizer que não foi isso que falou, que a conversa se sobrepôs. Não, esperou uns segundos e, em mais claro e bom tom, repetiu esse absurdo.
É de um descolamento da realidade marcante, mas que não surpreende tanto quem conhece o Parque São Jorge. Um clube social que, se não carregasse consigo o emblema e a história do Corinthians, poderia ser facilmente confundido com outras grandes agremiações da capital paulista, como Pinheiros, Paineiras, Juventus ou Espéria. Proponho, então, um exercício: vamos separar o que seria o Corinthians do torcedor do Corinthians do associado?
A discussão vira e mexe vem à tona, de separar o futebol do clube social, e eu sempre fui contra. Mas é impossível não responder a Miguel Marques com esses números ao se ouvir uma frase dessa. Comecemos:
O Corinthians do torcedor reúne, na minha avaliação, todos os times profissionais de esporte do clube. Mas vamos ficar com os mais populares: futebol masculino, feminino e categorias de base, que atualmente mal usam a estrutura do Parque São Jorge, a não ser para jogos na Fazendinha.
Esse segumento fechou 2023 com uma receita de R$ 837 milhões, de acordo com o balanço do clube. Em contrapartida, teve R$ 671 milhões em despesas, chegando a um superavit líquido de R$ 120 milhoes no período. Uma máquina de fazer dinheiro o Corinthians do torcedor.
E o Corinthians do sócio? Bom, o Corinthians do sócio reuniu R$ 62 milhões em receitas no ano passado, mas teve R$ 100 milhões em despesas. Soma-se a isso uma despesa financeira (juros) que come R$ 80 milhões do clube por ano e o déficit do clube social é de R$ 119 milhões em 2023. Uma máquina de torrar dinheiro o Corinthians do sócio.
Esses R$ 240 milhões de diferença entre os dois Corinthians vistos por Miguel Marques, para mim, ainda são pouco perto da diferença que existe entre a magnitude histórica do Sport Club Corinthians Paulista e a pequenez que parece permear a cabeça de muitos dos frequentadores do clube social.
Feito esse desabafo, mantenho minha posição de que o caminho viável é democratizar o clube social, abrindo uma seção de votantes para os sócios-torcedores. Sou pró a adesão em massa da torcida ao clube que tem sido propagada nas redes sociais, principalmente por nomes como Cacá Catalão e Mil Grau. É de dentro que o sistema do Corinthians precisa ser mudado - quiçá salvo.
A Fazendinha e a Chácara São Jorge, aliás, carregam muito da história corinthiana e são memória viva do que transformou o Corinthians no atual Corinthians do torcedor. Muito além de qualquer pensamento provinciano.
É preciso, porém, que outros representantes do clube se posicionem contra o que disse Miguel Marques. Que deixem claro que a fala do presidente do Cori não representa o pensamento de quem comanda o clube social. A Fiel Torcida merece muito mais respeito.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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