Dorival segue mesmo roteiro de Mano Menezes
Opinião de Juliano Barreto
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Na saída de Yuri, Mano Menezes explicou as broncas e deu um abraço longo no jogador
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Nem faz tanto tempo, mas parece que nenhum dos envolvidos aprendeu nada.
A pilantragem começa com o técnico, que aceita dirigir o Corinthians fingindo acreditar nas promessas de reforços “que vão chegar para jogar”. Depois de poucas semanas, a realidade se impõe e em vez de contratações, os assuntos mais comuns são salários atrasados, jogadores à beira de uma rebelião, lesões se acumulando devido ao calendário insano do futebol brasileiro, e o revezamento entre os dirigentes que acusam e aqueles que são acusados de corrupção.
Em campo, a coisa não anda. Jogo após jogo, a dificuldade só aumenta. Sem nunca contar com os 11 titulares e com reservas “catados” nas categorias de base por desespero, o Corinthians entra em campo fazendo tudo errado e sonhando que termine tudo certo.
É óbvio que os resultados não aparecem, e a torcida, já com a paciência no limite, começa a pressionar. Parte da imprensa capitaliza a confusão para espalhar notícias de insatisfação e de indisciplina, e iniciar a clássica “fritura do técnico”.
Não há muita diferença entre o cenário encontrado por Mano no começo de 2024 e a situação de Dorival Júnior 18 meses depois. O elenco do time de futebol profissional não é profissional e não é elenco. Os treinadores têm que se virar para escalar onze caras escolhendo entre jogadores caros que não entregam, jogadores muito jovens que se comportam como se fossem jogadores veteranos, e uma leva de atletas desmotivados, queimados com torcida e imprensa.
Se o cenário é igual, por que esperar um desfecho diferente? Mano e Dorival são bastante rodados. Ambos sabem muito bem que a cartolagem usa técnicos como escudo para todos os outros problemas. Sabem também que os jogadores são vaidosos e, quando contrariados, começam a sabotar a comissão técnica.
Os técnicos brasileiros sabem bem o que fazer nesses casos. Nada é mais simples do que ir à imprensa para culpar os próprios comandados. Mano xingou Yuri de burro ao vivo para todo mundo ouvir. Dorival, após perder um Majestoso, repetiu que a postura inaceitável do time tinha a ver com “falta de energia”.
Fazer isso é garantia de “perder o vestiário”, e todo mundo sabe o que acontece depois. A próxima derrota em casa, vai resultar em demissão. O presidente do clube usará o velho truque de mudar o foco para culpar o técnico. Isso faz as pessoas começarem a especular quem será o novo treinador e esquecer da falta de condições de trabalho que o último cara enfrentou.
Para os treinadores, tudo certo também. Eles sabem que depois de serem chutados de um clube, têm multas milionárias para receber, e que não demora muito até que outro clube chegue com uma oferta de emprego.
Mano saiu do Corinthians em 5 de fevereiro de 2024, para logo se apresentar como novo comandante do Fluminense em 1º de julho.
Dorival foi demitido do Flamengo em 26 de novembro de 2002, para logo se apresentar como novo comandante do São Paulo em 20 de abril de 2023.
Eles fingem que acreditam nos planos dos dirigentes, e os dirigentes fingem que o técnico conseguirá treinar um time todo esculachado num calendário que os obriga a entrar em campo sem descanso ou tempo para treinos.
Passadas poucas semanas, nenhum dos dois lados cumpre o que prometeu. O dirigente usa o técnico como desculpa para tudo que há de errado, enquanto o técnico esfrega as mãos contando o dinheiro que (um dia) vai receber de multa. Daí o roteiro é conhecido. As derrotas, a coletiva criticando o próprio time, o presidente dizendo que o técnico está “prestigiado”, e no final uma nova troca no comando que faz a palhaçada toda começar de novo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
