Doutor, eu não me engano! Sísifo é Corinthiano!
Opinião de Juliano Barreto
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O corintío Sísifo foi para o inferno condenado a repetir o mesmo trabalho para sempre
Foto: Reprodução/Google Gemini
Uma das coisas que eu adoro em obras de não-ficção é que autores geniais geralmente citam outros autores geniais. É o tipo de recomendação que nenhum algoritmo chega nem perto de fazer. Pois bem, pulando de um livro para outro, acabei lendo “O Mito de Sísifo”, um ensaio existencialista do francês Albert Camus.
O que isso tem a ver com o Coringão?
Segundo a mitologia grega, os Deuses castigaram Sísifo com a tarefa de empurrar uma pedra gigante até o topo de uma montanha, só para vê-la rolar morro abaixo e ter que recomeçar tudo de novo. Para sempre, sem descanso, sem mudança.
O Corinthians de Ramón e Emiliano Diaz castiga os torcedores de forma parecida. Quando parece que uma dificuldade foi superada, ela reaparece na sequência, exatamente apresentando os mesmos problemas.
Quando o técnico parece ter achado uma linha defensiva que aguenta 90 minutos sem tomar gol, pode apostar que no jogo seguinte os mesmos zagueiros vão entregar a rapadura e dar vexame em casa contra algum timeco. Trocam os nomes, o mau desempenho continua.
Yuri Alberto mete gol, sai dizendo que superou todos os traumas, calou todos os críticos e todo mundo acredita aliviado. No jogo seguinte, o artilheiro volta a ser bagre, mal toca na bola e quando toca perde um monte de gol feito.
Memphis é outro pedregulho! Num jogo, dá show, mete gol, assistência, deixa o povo que ama estatísticas apaixonado com seus números de participações em gols. "Ele não é lerdo nem preguiçoso, ele é craque! Veja os números", dizem. No jogo seguinte… aquele cara da faixinha ainda tá em campo ou foi gravar trap?
Acontece a mesma coisa nos clássicos. Finalmente, o Corinthians ganha de algum rival com autoridade… só pra passar vergonha o mais rápido possível e perder o próximo jogo sem dar um chute a gol. Jogos fora de casa, então, sempre a mesma esperança de melhora e a mesma frustração com a covardia e desorganização em campo.
Nem vale listar todas as mancadas da diretoria. Seja quando falam de reforços, vendas de jogadores da base, salários atrasados, impeachtment do presidente, relação com organizadas e trambiques em geral... De manhã dizem que está tudo resolvido, de tarde dizem que não é bem assim, e de noite sai alguma notícia desmentindo tudo.
Assim como Sísifo, somos obrigados a ter um pingo de esperança e pensar que as coisas melhoraram, só pra sofrer tudo de novo no jogo seguinte. Um suplício que tem motivos estruturais, técnicos, táticos, individuais e coletivos. Trocar de técnico às pressas ou trazer reforços desconhecidos e superfaturados, como de costume, parecem soluções mas não dão em nada (só em aumento do mitológico rombo financeiro).
Dói saber que a repetição dos mesmos erros e a insistência em soluções que funcionam só por um jogo vão continuar. Seja com o técnico de hoje ou com o próximo.
E sabe de uma coincidência? Antes de ser mandado para esse purgatório eterno pelos Deuses, Sísifo era rei da cidade de Corinto. O sofrimento vem de longe!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
