Corinthians deve homenagem aos craques de 2015
Opinião de Juliano Barreto
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Foto: Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Quem é mais novo não deve conseguir sequer imaginar o tamanho do Manchester United no futebol europeu dos anos 1990. Comandados por Alex Ferguson, o time alcançou todas as glórias possíveis e transformou uma geração de jogadores das suas categorias de base em celebridades mundiais. O caso mais emblemático foi David Beckham, mas os ingleses chamam a safra que também revelou Paul Scholes, Ryan Giggs e Gary Neville de “A classe de 1992” - mesmo nome do ótimo documentário que conta essa história, disponível na Netflix.
Com os recentes anúncios das aposentadorias de Renato Augusto e Gil, fica claríssimo que chegou a hora de os dirigentes do Corinthians darem uma pausa na politicagem e roubalheira para fazer uma justa homenagem não apenas aos dois, mas a Tite e todo o elenco e comissão técnica que venceu o Campeonato Brasileiro dez anos atrás de forma avassaladora, a nossa “Classe de 2015”.
Além do meia e do zagueiro, vários outros protagonistas daquele título já penduraram as chuteiras ou estão nas retas finais de suas carreiras. Vagner Love e Ralf ainda jogam nas divisões inferiores do futebol brasileiro, mas Danilo, Jadson, Elias, Rodriguinho, Felipe, Uendel, Cristian, Edu Dracena, Edilson, Rildo, entre outros, encerraram as suas carreiras sem nenhum reconhecimento por parte do Corinthians. Talvez um post em rede social aqui e ali, mas nada que fizesse jus ao grande futebol apresentado há uma década.
Para quem não lembra, ou precisa de um refresco na memória, o Brasileirão daquele ano foi difícil não apenas dentro de campo, mas especialmente fora dele. Liderados pelo fanfarrão Milton Neves, técnicos, comentaristas, jogadores e torcedores forçaram a barra ao dizer que a competição estava manchada devido à suposta parcialidade da arbitragem em benefício do Corinthians. Em tempos sem VAR, programas esportivos longos e diários na TV e nas rádios debatiam exaustivamente cada lance e, como sempre, rendia mais assunto falar mal do Corinthians e denunciar uma possível conspiração em favor do Timão.
Para quem não lembra, ou precisa de um refresco na memória, o Corinthians atropelou todo mundo jogando muito. No hiato entre 2013 e 2015, Tite estudou, se atualizou e conseguiu evoluir taticamente. Além de instaurar o futebol brigado e “operário” dos campeões da Libertadores, o técnico conseguiu pôr o time para frente, com qualidade, toque de bola, talento, raça, e organização tática que garantia o espetáculo no ataque sem descuidar da solidez defensiva.
Com Cássio, Fagner (Edilson), Gil e Felipe, Uendel (Arana), Ralf, Elias, Jadson (Danilo), Renato Augusto (Rodriguinho), Vagner Love (Luciano) e Malcom, o Timão fez a melhor campanha da história do Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos até então. Foram 81 pontos, com 24 vitórias, nove empates e apenas cinco derrotas. Também teve o melhor ataque (71 gols marcados) e a melhor defesa (31 sofridos). O time que foi o primeiro a levantar uma taça na Arena precisa voltar para se despedir da torcida e receber o muito obrigado da Fiel.
Sem jogar competições continentais até o final do ano e com a vaquinha da Arena praticamente abandonada pela diretoria, o Corinthians tem tempo e motivos de sobra para fazer uma despedida digna para a nossa “Classe de 2015”. E já que o conselho e a diretoria estão mais preocupados em esconder a roubalheira, cabe a torcida exigir que isso seja feito.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
