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Que nunca nos esqueçamos de desfrutar o Corinthians incondicionalmente
Daniel Keppler

Jornalista, 37 anos. Repórter do Meu Timão desde janeiro de 2026, com passagem anterior pela Central do Timão. Corinthiano desde sempre!

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Que nunca nos esqueçamos de desfrutar o Corinthians incondicionalmente

Torcida do Corinthians reunida contra o Fortaleza pelo Brasileirão

Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão

Escrevo essa coluna exatamente às 1h31 de um domingo que promete muitas emoções ao Corinthians. Afinal, em um espaço de três horas, a Fiel dividirá atenções entre duas finais: a do Mundial de Clubes Feminino, onde enfrentamos o Arsenal, e a da Supercopa Rei, que será disputada contra o Flamengo.

Está difícil dormir, pois o coração não deixa. No caso da Copa das Campeãs, o motivo é óbvio. Imagino as possibilidades para o confronto diante das inglesas e consigo me recordar de todos os anos em que as Brabas dominaram o Brasil e a América do Sul, esperando por esse momento. Na real? Nem precisa ser um entusiasta da modalidade para entender e reconhecer o peso desse momento histórico.

Já no caso da Supercopa, a questão não é exatamente o pessoa dessa partida. O torneio em si não é o mais relevante que vamos disputar, e sua eventual perda nem de longe seria um fim de mundo ou motivo para crise no Parque São Jorge. Mas a mobilização da torcida, rumando de São Paulo a Brasília em quase 200 ônibus apenas para apoiar o time, sem qualquer garantia de final feliz, me faz sentir um grande orgulho.

Em tempos em que o futebol está sendo cada vez mais invadido por debates alheios ao campo e à bola, o torcedor aprendeu a se informar e se politizar e, por isso, não se contenta mais em analisar os atletas - também quer boa gestão, boletos pagos e superávits. E isso deveria ser algo apenas positivo, se um outro fenômeno dos tempos modernos - a hiperexposição a conteúdos nas redes sociais - não transformasse esse movimento em algo bastante tóxico.

As plataformas estão, aos poucos, nos persuadindo a acreditar que todo tipo de conteúdo é dedicado individualmente para nós. Que os algoritmos selecionam, dentre uma infinidade de informações, exatamente aquelas que queremos consumir. Estamos, cada vez mais, nos acostumando a nos tornar consumidores cada vez mais exigentes, em espaços onde não existe mais o entretenimento puro e simples - todo conteúdo precisa ter um propósito, precisa nos agregar algo. Não basta que desfrutemos: precisamos ganhar algo.

Esse comportamento vem invadindo o futebol e ferindo de morte a postura das torcidas, que cada vez mais abandonam a ideia de apoiar seus clubes simplesmente porque sim, para trocar esse apoio por vitórias, retirando-o nos momentos de crise. Como se o torcer não fosse mais um gesto de amor, mas um contrato de adesão, onde o clube precisa "merecer" ser apoiado. Quem age assim pode não ter percebido, mas já não é mais torcedor: virou consumidor de um serviço - e esse serviço é a boa fase de seu time, renovável a cada jogo disputado.

Ver a Fiel ser notícia mundial pelo apoio prestado às Brabas em Londres na semifinal do Mundial, após uma ação que mobilizou diversos coletivos de torcedores na Europa, foi incrível. E assistir a todos os vídeos das caravanas, com milhares de torcedores, cruzando mais de mil quilômetros na estrada simplesmente para assistir 90 minutos de futebol, sem pedir nada em troca, sem receber qualquer incentivo, apenas porque sim, é a prova de que felizmente estamos resistindo a essa transformação.

Eu não sei o que vai acontecer nas finais de logo mais. Podemos ganhar as duas, ou perder as duas. Podemos, às 18 horas, estar no céu ou no inferno. Mas, independente de qualquer coisa, esse domingo vai servir para provar que seguimos amando o Corinthians, desejando apenas que o time entregue em campo o mesmo esforço que a torcida dedicou fora dele para apoiar o time.

Que o futuro seja brilhante para o Corinthians. E que a Fiel siga sendo resistência e nunca, jamais, se renda à tentação de virar consumidores que só apoiam quando o contexto é conveniente. Que nunca nos esqueçamos de desfrutar o Corinthians incondicionalmente.

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Por Daniel Keppler

Jornalista, 37 anos. Repórter do Meu Timão desde 2026, com passagem anterior pela Central do Timão. Corinthiano desde sempre! Entusiasta do futebol feminino, sempre dedicado a desvendar os bastidores.

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