Em 2021, precisaremos esquecer 2012
Opinião de Luis Fabiani
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Cássio e Jô no primeiro treino depois da derrota para o Santos, pelo Brasileiro 2020
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Há um excesso de sombras no Corinthians, o que não é nenhum tipo de maldição. Mas, há muito tempo, essas sombras influem diretamente no cotidiano do corinthiano. Nas vontades, nas cobranças, nos costumes, enfim. As sombras estão lá.
Os nomes de 2012, 2015 e 2017 são, merecidamente, idealizados pela torcida do Corinthians. Criou-se um modelo a ser seguido que, necessariamente, atende àquilo que as equipes citadas acima representam. Todo volante terá a sombra do Paulinho por trás. Todo atacante terá a sombra do Sheik. Todo treinador será ameaçado pelas sombras de Tite e Carille. E assim vai, passando pela variedade de nomes que estes grandes elencos podem oferecer.
Ainda que seja importante valorizar o passado do clube (nosso próprio hino faz esse pedido), há uma enorme dificuldade da torcida em virar a página quando necessário. Não se cogitam outras formas de obter sucesso, priorizando sempre a retomada de velhos costumes que fizeram o clube ser vencedor outrora.
De 2017 em diante, o Corinthians se focou em repatriar jogadores com bom passado pelo clube. Sem avaliações técnicas que justificassem as contratações. E, mesmo após os fracassos futebolísticos recentes de alguns deles, a torcida segue primando pela volta de outros nomes. Não foram poucos os torcedores que pediram a volta de Fábio Carille ao Corinthians, logo após a vexatória derrota para o Santos.
Ignoram-se questões financeiras e técnicas. Ídolos se tornam intocáveis, inquestionáveis e, consequentemente, mais acomodados. Até hoje, pouco se debate sobre a falta de profissionalismo do atacante Jô ao seguir fora de forma quase um ano após chegar ao Corinthians. Com outros, igualmente fora de forma, foram tomadas medidas mais drásticas.
Assim é, também, com Cássio. Embora eu não concorde com boa parte das cobranças. alguns defensores do goleiro utilizam a idolatria como premissa para defendê-lo. Novamente, a paixão substitui a razão e torna o Corinthians um clube ainda menos profissional.
Tiago Nunes, antes de sequer estrear pelo clube, precisou superar a desconfiança de parte da torcida em relação à ruptura com o modelo de futebol apresentado pelo clube na última década.
Jogadores como Cantillo, que trazem uma nova proposta para a posição, são quase que forçados a se adaptarem ao que a torcida se acostumou a ver. Cobra-se que, um construtor nato de jogadas, vire um goleador, como foram Paulinho e Elias em outro momento.
E sempre, no mercado da bola, velhos nomes serão os protagonistas nas pedidas da torcida por reforços. Rodriguinho, longe da titularidade absoluta no Bahia, torna-se um pedido frequente de alguns torcedores. O clube, assim, entra num ciclo onde jamais sairá vencedor.
É nítida a dificuldade em virar a página. O pensamento é quase que um negacionismo futebolístico, que despreza as mudanças que ocorrem frequentemente neste meio.
Para 2021, precisamos pensar diferente. Não podemos parar no tempo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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